Na verdade não um videocast deste blog, mas sim do meu outro blog, que é sobre futebol:
O Importante é os 3 Pontos
O Videocast se chama "O Professor Falou..." título estranho, mas que explico no 1º episódio. Já gravei 2, os links estão aí:
Episódio 1
Episódio 2
Comentem.
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Sábado, Setembro 12, 2009
Micro-resenhas - especial "revival" de ação
Highlander, O Guerreiro Imortal (Highlander)
Dirigido por Russell Mulcahy, 1986.

Existe a famosa regra dos 15 anos (qualquer um que já ouviu o Nerdcast sabe disso), que diz que tudo que você assistiu e gostou quando tinha 15 anos ou menos não deve ser revisto, pois bem provavelmente é uma bosta. Se tem filmes que quebram essa regra, como True Lies, resenhado abaixo, existem também - e são a maioria - os que são miseravelmente derrotados por ela, caso desse Highlander.
Que decepção, sempre tive na minha cabeça que o primeiro filme da série era bom e as continuações ruins. A verdade é que o primeiro filme é ruim e as continuações tenebrosas.
Tudo vai mal nesse filme, desde as atuações - Cristopher Lambert é tão ruim que chega a ofender -, até a coreografia das lutas que é datada demais e - por vezes - ridícula. A história até que é legal, mas o roteiro é mal escrito, os diálogos são toscos, o estilo de filmagem é oitentista em sua pior definição e a edição é completamente sem sentido. Parece às vezes que filmaram cinco horas de filme mas só puderam lançar duas.
Sean Connery tem uma participação pequena e fica longe de repetir algumas de suas grandes atuações, ainda que não prejudique e o vilão do filme Kurgan (Clancy Brown) é patético, e nunca mete medo, apenas raiva, já que age como babaca o filme todo.
Os únicos pontos altos são as transições de cena, que - fora uma onde a cena explode como um vidro quebrado - são inventivas e muito competentes e a sensacional trilha sonora do Queen.
Recomendo seriamente, se tiverem boas lembranças desse filme, não assistam de novo, é decepcionante. E se tiverem mesmo saudades comprem um disco do Queen, vale bem mais a pena.
cotação:
Highlander II - A Ressurreição (Highlander II: The Quickening)
Dirigido por Russell Mulcahy, 1991.

Se o primeiro Highlander é ruim, esse é um dos 10 piores filmes da história. O roteiro distorce tudo o que o primeiro filme estabelece, inventa uma trama futurista patética, insere ficção científica da pior qualidade, ressuscita Sean Connery - que ganhou uma bolada para fazer essa bomba - e dá uma origem para os Imortais, que teriam vindo do planete Zeist, governado pelo malvado general Katana... preciso dizer que é ruim?
Cristopher Lambert tem a pior atuação da carreira e se pararmos para pensar o quão ruim ele é, isso é muito (as cenas em que ele está velho e faz uma voz rouca fake são de rolar de rir). O resto do elenco também é patético e Michael Ironside, que faz o General Katana, consegue ser pior que o vilão do primeiro filme.
Para coroar, a trama - que já é sem pé nem cabeça - tem um monte de furos e os "efeitos" especiais são de lascar. Nem os piores fanfilms são tão toscos.
cotação:
Stallone Cobra (Cobra)
Dirigido por George P. Cosmatos, 1986.

Confesso que esperava mais desse filme, por toda a mítica que o envolve e sua fama de cult brucutu. Deixando de lado a questão política - seria o protagonista Facista? - é apenas um filme razoável de sessão da tarde.
Pela fama que tem eu esperava que fosse muito violento, mas não é, todo mundo que leva tiro não sangra e as cenas de ação nem são tão boas assim. Quanto ao elenco, Stallone é canastra demais, mas aqui, como na maioria dos filmes de ação que ele faz, isso cai bem, mas Brigite Neilsen é muito ruim. O resto não vale nem mencionar.
O roteiro , como era de se esperar, é fraco, então o filme deveria ser lotado de cenas de ação aleatórias, mas não é, tem muita ação no começo e no fim e o meio desenvolve uma trama que não precisa ser desenvolvida, já que não faz sentido algum, uma pena. Outra decepção de infancia, ainda que esse não seja ruim como Highlander, poderia ser bem melhor.
cotação:
Rambo II - A Missão (First Blood part II)
Dirigido por George P. Cosmatos, 1985.

Continuando o revival de infância, Rambo II não me decepcionou, claro que não é bom como o 1º filme, mas é competente e não perde tempo com roteiros sem sentido. A história é simples: Rambo sai da cadeia, volta ao Vietnam resgatar soldados, é traído pelo governo, preso, escapa, mata todo mundo e volta triunfante. Pronto, e tudo isso muito bem coreografado em cenas de ação que envelheceram muito bem.
O filme em nenhum momento se pretende mais do que um entretenimento para homens e cumpre isso com larga vantagem. Quem dera que o cinema de ação de hoje entendesse isso.
cotação:
True Lies (True Lies)
Dirigido por James Cameron, 1994.

Esse não decepcionou, muito pelo contrário, é melhor do que a lembrança que eu tinha dele. Grande filme, eu diria o último clássico de ação e também o último grande filme de James Cameron (depois foi só o safado Titanic). Depois deste filme começou o declínio do cinema de ação. Cameron faz uma sensacional mistura de comédia, romance e ação, com um elenco afinadíssimo - Jamie Lee Curtis está sensacional, assim como Tom Arnold e até o Swaza atua bem - e cenas de ação sensacionais e sem aquele monte de efeitos de computador chatos de hoje em dia.
O filme começa com uma cena a la James Bond, só que com um grande diretor a frente, ou seja, muito melhor e mais engraçado. O humor é um destaque do filme, em algumas cenas eu tive que parar o filme pra rir.
Algumas das mais clássicas cenas de ação do cinema estão aqui, como a que Schwarzenegger persegue o terrorista feito por Grant Heslov à cavalo. Em suma: um clássico!
cotação:
PS: Highlander II foi a segunda vez que eu dei a nota mínima pra um filme, o outro tinha sido pro tenebroso Fim dos Tempos.
PS2: No próximo micro-resenhas eu falarei sobre Up-Altas aventuras (o filme do ano) e o que eu tiver assistido até lá.

Existe a famosa regra dos 15 anos (qualquer um que já ouviu o Nerdcast sabe disso), que diz que tudo que você assistiu e gostou quando tinha 15 anos ou menos não deve ser revisto, pois bem provavelmente é uma bosta. Se tem filmes que quebram essa regra, como True Lies, resenhado abaixo, existem também - e são a maioria - os que são miseravelmente derrotados por ela, caso desse Highlander.
Que decepção, sempre tive na minha cabeça que o primeiro filme da série era bom e as continuações ruins. A verdade é que o primeiro filme é ruim e as continuações tenebrosas.
Tudo vai mal nesse filme, desde as atuações - Cristopher Lambert é tão ruim que chega a ofender -, até a coreografia das lutas que é datada demais e - por vezes - ridícula. A história até que é legal, mas o roteiro é mal escrito, os diálogos são toscos, o estilo de filmagem é oitentista em sua pior definição e a edição é completamente sem sentido. Parece às vezes que filmaram cinco horas de filme mas só puderam lançar duas.
Sean Connery tem uma participação pequena e fica longe de repetir algumas de suas grandes atuações, ainda que não prejudique e o vilão do filme Kurgan (Clancy Brown) é patético, e nunca mete medo, apenas raiva, já que age como babaca o filme todo.
Os únicos pontos altos são as transições de cena, que - fora uma onde a cena explode como um vidro quebrado - são inventivas e muito competentes e a sensacional trilha sonora do Queen.
Recomendo seriamente, se tiverem boas lembranças desse filme, não assistam de novo, é decepcionante. E se tiverem mesmo saudades comprem um disco do Queen, vale bem mais a pena.
cotação:

Highlander II - A Ressurreição (Highlander II: The Quickening)
Dirigido por Russell Mulcahy, 1991.

Se o primeiro Highlander é ruim, esse é um dos 10 piores filmes da história. O roteiro distorce tudo o que o primeiro filme estabelece, inventa uma trama futurista patética, insere ficção científica da pior qualidade, ressuscita Sean Connery - que ganhou uma bolada para fazer essa bomba - e dá uma origem para os Imortais, que teriam vindo do planete Zeist, governado pelo malvado general Katana... preciso dizer que é ruim?
Cristopher Lambert tem a pior atuação da carreira e se pararmos para pensar o quão ruim ele é, isso é muito (as cenas em que ele está velho e faz uma voz rouca fake são de rolar de rir). O resto do elenco também é patético e Michael Ironside, que faz o General Katana, consegue ser pior que o vilão do primeiro filme.
Para coroar, a trama - que já é sem pé nem cabeça - tem um monte de furos e os "efeitos" especiais são de lascar. Nem os piores fanfilms são tão toscos.
cotação:

Stallone Cobra (Cobra)
Dirigido por George P. Cosmatos, 1986.

Confesso que esperava mais desse filme, por toda a mítica que o envolve e sua fama de cult brucutu. Deixando de lado a questão política - seria o protagonista Facista? - é apenas um filme razoável de sessão da tarde.
Pela fama que tem eu esperava que fosse muito violento, mas não é, todo mundo que leva tiro não sangra e as cenas de ação nem são tão boas assim. Quanto ao elenco, Stallone é canastra demais, mas aqui, como na maioria dos filmes de ação que ele faz, isso cai bem, mas Brigite Neilsen é muito ruim. O resto não vale nem mencionar.
O roteiro , como era de se esperar, é fraco, então o filme deveria ser lotado de cenas de ação aleatórias, mas não é, tem muita ação no começo e no fim e o meio desenvolve uma trama que não precisa ser desenvolvida, já que não faz sentido algum, uma pena. Outra decepção de infancia, ainda que esse não seja ruim como Highlander, poderia ser bem melhor.
cotação:

Rambo II - A Missão (First Blood part II)
Dirigido por George P. Cosmatos, 1985.

Continuando o revival de infância, Rambo II não me decepcionou, claro que não é bom como o 1º filme, mas é competente e não perde tempo com roteiros sem sentido. A história é simples: Rambo sai da cadeia, volta ao Vietnam resgatar soldados, é traído pelo governo, preso, escapa, mata todo mundo e volta triunfante. Pronto, e tudo isso muito bem coreografado em cenas de ação que envelheceram muito bem.
O filme em nenhum momento se pretende mais do que um entretenimento para homens e cumpre isso com larga vantagem. Quem dera que o cinema de ação de hoje entendesse isso.
cotação:

True Lies (True Lies)
Dirigido por James Cameron, 1994.

Esse não decepcionou, muito pelo contrário, é melhor do que a lembrança que eu tinha dele. Grande filme, eu diria o último clássico de ação e também o último grande filme de James Cameron (depois foi só o safado Titanic). Depois deste filme começou o declínio do cinema de ação. Cameron faz uma sensacional mistura de comédia, romance e ação, com um elenco afinadíssimo - Jamie Lee Curtis está sensacional, assim como Tom Arnold e até o Swaza atua bem - e cenas de ação sensacionais e sem aquele monte de efeitos de computador chatos de hoje em dia.
O filme começa com uma cena a la James Bond, só que com um grande diretor a frente, ou seja, muito melhor e mais engraçado. O humor é um destaque do filme, em algumas cenas eu tive que parar o filme pra rir.
Algumas das mais clássicas cenas de ação do cinema estão aqui, como a que Schwarzenegger persegue o terrorista feito por Grant Heslov à cavalo. Em suma: um clássico!
cotação:

PS: Highlander II foi a segunda vez que eu dei a nota mínima pra um filme, o outro tinha sido pro tenebroso Fim dos Tempos.
PS2: No próximo micro-resenhas eu falarei sobre Up-Altas aventuras (o filme do ano) e o que eu tiver assistido até lá.
Quarta-feira, Agosto 19, 2009
Resenha – Hyper Future Vision Gunnm
Autor: Yukito Kishiro
PS3: Faz um tempão que eu não escrevo aqui... é que estou planejando uma atração nova pra esse blog, fiquem atentos que logo (espero) virá.
cotação:

Lombada das 18 edições brasileiras de Gunnm, formando o desenho da capa do 1º mangá, foto (mal) tirada por mim mesmo da minha coleção.
Editora Original: SHUEISHA
Ano de Publicação Original: 1991-1995
Editora no Brasil: JBC
Ano de Publicação no Brasil: 2003-2004
Número de Edições: 18

Hoje eu terminei de ler – pela 4ª vez – Gunnm e finalmente tomei coragem para resenhar essa que considero, junto com Akira de Katsuhiro Otomo, a maior obra de ficção científica já publicada em quadrinhos.
Meu primeiro contato com Gunnm foi logo da publicação de seu primeiro número pela JBC e o encanto não foi imediato, já que o primeiro número, apesar de ótimo, não me fisgou. Só percebi que estava diante de algo diferente no segundo número, que li afoito e embasbacado, a partir daí li todos os números subseqüentes dessa forma.
Gunnm se passa num futuro tecnológico onde o mundo é dividido em Zalem, uma cidade flutuante e a Cidade da Sucata, onde Zalem despeja seus dejetos e que trabalha única e exclusivamente para suprir Zalem. Nesse cenário é contada a história de Gally, uma garota sem memórias que tem sua cabeça (isso mesmo, só a cabeça) encontrada no lixão por Ido, um cidadão de Zalem que foi expulso e agora vive na Cidade da Sucata concertando Andróides. No mundo de Gunnm, quase todos os habitantes da Cidade da Sucata tem partes, ou o corpo todo, cibernéticas, precisando apenas do cérebro pra se manterem vivas, como Gally a protagonista.
Como Zalem não se importa com a segurança dos habitantes da Cidade da Sucata, não existe polícia, o mais próximo disso são os Guerreiro Caçadores que matam bandidos em troca de recompensas. Ido é secretamente um deles e Gally – que tem um poder de luta que ela não sabe como conseguiu, o Panzer Kunst, arte marcial Marciana desenvolvida especialmente para lutas entre Ciborgues – segue os passos de seu salvador e se torna também uma Guerreira Caçadora.
Esse seria o plot para todo um Mangá, mas ocupa apenas 5 volumes de Gunnm, que logo depois passa a abordar o Motorball, jogo que mistura corridas e lutas entre Ciborgues e que Gally acaba entrando. Novamente o autor não se fixa nisso e o plot muda mais duas vezes até, na edição 11 tomar sua forma definitiva com Gally como agente de Zalem na superfície. Todas as fases de Gunnm são incrivelmente densas e servem pra mostrar as relações internas da Cidade da Sucata e desta com Zalem, além de desenvolver claramente a personagem principal.
A melhor qualidade do Mangá é sua galeria impressionante de personagens, todos esféricos. Dificilmente Kishiro introduz uma personagem se não for desenvolvê-la completamente. Nesse ponto os melhores são os que – durante toda a trama – servem de antagonistas (nem sempre vilões) à Gally. O primeiro deles – que é tão marcante, que apesar de aparecer só nos dois primeiros volumes ecoa e se faz importante para Gally durante toda a trama – é Makaku, ciborgue com passado cruel que transpões todo o sentimento de dor que já sentiu para matar e destruir. Ele é utilizado de forma brilhante pelo autor, como primeiro oponente e rival de Gally, que também pela primeira vez mostra compaixão pelos motivos dele, marca característica da protagonista durante todo mangá.
O segundo antagonista de Gally – que volta depois em outra forma e se torna o ponto de divisão do mangá – é Zapan, outro Guerreiro Caçador que se sente humilhado por Gally e leva isso às últimas conseqüências.
O terceiro antagonista da trama é Jashugan o Campeão do Motorball, que ficará pra sempre como maior antagonista e rival de Gally, além de ser o único personagem que derrota a protagonista. Jashugan é um personagem brilhante que serve como rival que também é mestre à partir do ponto em que a ensina – não só artes marciais – durante o combate.
O quarto antagonista é Den, líder do Barjack um grupo terrorista que quer derrubar Zalem do céu para por fim a dominação tirânica. Den se mostra interessantíssimo pois além de estar – na maioria das vezes – mais certo em seus motivos que Gally, o que inverte de forma sensacional o conceito de herói-vilão, é também um alter ego de Kaos, um personagem interessantíssimo pois possui o poder da psicometria podendo reconstituir as memórias e habilidades de pessoas que usaram um objeto a partir do próprio objeto. Kaos se apaixona por Gally e passa a ser um grande aliado ao mesmo tempo em que é um grande antagonista como Den.
O quinto antagonista é o melhor personagem de todo o mangá e também o único que pode receber a alcunha de vilão. O Dr. Desty Nova é um cientista expulso de Zalem que veio para cidade da Sucata para fazer experimentos com humanos. Completamente insano, ele só acredita no conceito do Carma e foi o responsável por todos os antagonistas anteriores de Gally, transformou Makaku em um monstro, reconstruiu o cérebro de Jashugan, deu a Zapan os meios e o poder para destruir não só Gally como toda a cidade da sucata (o interessante nessa passagem é que ele também dá a Gally os meios para destruir Zapan, fazendo com que eles encarem seus Carmas) e é pai de Kaos e responsável pela personalidade oculta dele – Den – poder se manifestar livremente. Desty Nova controla os destinos da trama e é o único a conhecer o “Segredo do povo de de Zalem”.
O sexto e último antagonista é a própria Zalem que domina os destinos tanto dos cidadãos da Cidade da Sucata quanto de seus próprios cidadãos e que será por fim “desafiada” por Gally no poderoso final da trama.
Gunnm é um mangá muito constante o que faz com que todos os seus números – com exceção talvez do primeiro – sejam geniais, mas os números mais impressionante são o penúltimo que traz não só o (suposto) confronto derradeiro entre Gally e Desty Nova como a revelação do “Segredo do povo de Zalem” que é tão impressionante e determinante para o real significado da trama que tenho que parar a leitura toda vez que leio (da primeira vez que li fiquei tão chocado que não consegui terminar de ler a edição naquele mesmo dia). E o último número, maior (160 pgs) e que contém não só o desenrolar da trama, chegando à conciliação (e não à guerra) como solução do conflito básico superfície vs. Zalem pelas mãos de Gally, como também a revelação do passado da protagonista, incluindo uma maravilhosa contraposição da personagem com a sua personalidade passada – são completamente diferentes – por meio da mudança de uma pergunta que Gally se faz o mangá todo: “Por que eu luto?” A resposta costuma ser “por mim” e é diferente neste flashback (pra saber leiam).
Gunnm é tão perfeito e complexo que recomendo seriamente que leiam, mudará suas percepções da realidade de maneira que só obras centrais da ficção científica conseguem, como a Fundação de Asimov e O Jogo do Exterminador de Orson Scott Card.
PS: O autor Yukito Kishiro está reescrevendo o final de Gunnm em um novo mangá chamado Gunnm Last Order, que ainda não li. O motivo que ele deu é que não conseguiu escrever exatamente o que queria da primeira vez. Como já disse aqui, Gunnm é uma obra fechada, coesa e maravilhosa, duvido seriamente que o final pudesse ser melhor, o que levanta a velha discussão: Porque alguns autores nunca estão contentes com suas obras mesmo quando elas são unanimidades da crítica? De qualquer forma eu espero que alguém publique aqui essa “revisão”, de preferência a JBC que fez um trabalho maravilhoso com Gunnm, provavelmente o melhor que a editora já fez. E quando isso ocorrer podem ter certeza que vou resenhar aqui.
PS2: Essa resenha ficou gigante e mesmo assim não falei metade do que tinha pra falar, me concentrei nos personagens e não na trama, porque achei que assim contaria o mínimo de Spoilers possível e mesmo assim foram vários. Mas uma interessante discussão que poderia ser levantada é dimensão religiosa desta história, que se faz presente em todo o mangá. Um povo sem esperança abraça a religião sem nem pensar como consolo imediato e é – na minha opinião – um pouco disso que trata Gunnm, sem falar na óbvia relação entre a cidade espacial Jeru e a cidade de Zalem (liguem os pontos), que são conectadas pela “Escada de Jacó”. Vale ainda a dica do ótimo posfácio do autor na última edição. Por isso volto a insistir, leiam Gunnm!
Ano de Publicação Original: 1991-1995
Editora no Brasil: JBC
Ano de Publicação no Brasil: 2003-2004
Número de Edições: 18

Hoje eu terminei de ler – pela 4ª vez – Gunnm e finalmente tomei coragem para resenhar essa que considero, junto com Akira de Katsuhiro Otomo, a maior obra de ficção científica já publicada em quadrinhos.
Meu primeiro contato com Gunnm foi logo da publicação de seu primeiro número pela JBC e o encanto não foi imediato, já que o primeiro número, apesar de ótimo, não me fisgou. Só percebi que estava diante de algo diferente no segundo número, que li afoito e embasbacado, a partir daí li todos os números subseqüentes dessa forma.
Gunnm se passa num futuro tecnológico onde o mundo é dividido em Zalem, uma cidade flutuante e a Cidade da Sucata, onde Zalem despeja seus dejetos e que trabalha única e exclusivamente para suprir Zalem. Nesse cenário é contada a história de Gally, uma garota sem memórias que tem sua cabeça (isso mesmo, só a cabeça) encontrada no lixão por Ido, um cidadão de Zalem que foi expulso e agora vive na Cidade da Sucata concertando Andróides. No mundo de Gunnm, quase todos os habitantes da Cidade da Sucata tem partes, ou o corpo todo, cibernéticas, precisando apenas do cérebro pra se manterem vivas, como Gally a protagonista.
Como Zalem não se importa com a segurança dos habitantes da Cidade da Sucata, não existe polícia, o mais próximo disso são os Guerreiro Caçadores que matam bandidos em troca de recompensas. Ido é secretamente um deles e Gally – que tem um poder de luta que ela não sabe como conseguiu, o Panzer Kunst, arte marcial Marciana desenvolvida especialmente para lutas entre Ciborgues – segue os passos de seu salvador e se torna também uma Guerreira Caçadora.
Esse seria o plot para todo um Mangá, mas ocupa apenas 5 volumes de Gunnm, que logo depois passa a abordar o Motorball, jogo que mistura corridas e lutas entre Ciborgues e que Gally acaba entrando. Novamente o autor não se fixa nisso e o plot muda mais duas vezes até, na edição 11 tomar sua forma definitiva com Gally como agente de Zalem na superfície. Todas as fases de Gunnm são incrivelmente densas e servem pra mostrar as relações internas da Cidade da Sucata e desta com Zalem, além de desenvolver claramente a personagem principal.
A melhor qualidade do Mangá é sua galeria impressionante de personagens, todos esféricos. Dificilmente Kishiro introduz uma personagem se não for desenvolvê-la completamente. Nesse ponto os melhores são os que – durante toda a trama – servem de antagonistas (nem sempre vilões) à Gally. O primeiro deles – que é tão marcante, que apesar de aparecer só nos dois primeiros volumes ecoa e se faz importante para Gally durante toda a trama – é Makaku, ciborgue com passado cruel que transpões todo o sentimento de dor que já sentiu para matar e destruir. Ele é utilizado de forma brilhante pelo autor, como primeiro oponente e rival de Gally, que também pela primeira vez mostra compaixão pelos motivos dele, marca característica da protagonista durante todo mangá.
O segundo antagonista de Gally – que volta depois em outra forma e se torna o ponto de divisão do mangá – é Zapan, outro Guerreiro Caçador que se sente humilhado por Gally e leva isso às últimas conseqüências.
O terceiro antagonista da trama é Jashugan o Campeão do Motorball, que ficará pra sempre como maior antagonista e rival de Gally, além de ser o único personagem que derrota a protagonista. Jashugan é um personagem brilhante que serve como rival que também é mestre à partir do ponto em que a ensina – não só artes marciais – durante o combate.
O quarto antagonista é Den, líder do Barjack um grupo terrorista que quer derrubar Zalem do céu para por fim a dominação tirânica. Den se mostra interessantíssimo pois além de estar – na maioria das vezes – mais certo em seus motivos que Gally, o que inverte de forma sensacional o conceito de herói-vilão, é também um alter ego de Kaos, um personagem interessantíssimo pois possui o poder da psicometria podendo reconstituir as memórias e habilidades de pessoas que usaram um objeto a partir do próprio objeto. Kaos se apaixona por Gally e passa a ser um grande aliado ao mesmo tempo em que é um grande antagonista como Den.
O quinto antagonista é o melhor personagem de todo o mangá e também o único que pode receber a alcunha de vilão. O Dr. Desty Nova é um cientista expulso de Zalem que veio para cidade da Sucata para fazer experimentos com humanos. Completamente insano, ele só acredita no conceito do Carma e foi o responsável por todos os antagonistas anteriores de Gally, transformou Makaku em um monstro, reconstruiu o cérebro de Jashugan, deu a Zapan os meios e o poder para destruir não só Gally como toda a cidade da sucata (o interessante nessa passagem é que ele também dá a Gally os meios para destruir Zapan, fazendo com que eles encarem seus Carmas) e é pai de Kaos e responsável pela personalidade oculta dele – Den – poder se manifestar livremente. Desty Nova controla os destinos da trama e é o único a conhecer o “Segredo do povo de de Zalem”.
O sexto e último antagonista é a própria Zalem que domina os destinos tanto dos cidadãos da Cidade da Sucata quanto de seus próprios cidadãos e que será por fim “desafiada” por Gally no poderoso final da trama.
Gunnm é um mangá muito constante o que faz com que todos os seus números – com exceção talvez do primeiro – sejam geniais, mas os números mais impressionante são o penúltimo que traz não só o (suposto) confronto derradeiro entre Gally e Desty Nova como a revelação do “Segredo do povo de Zalem” que é tão impressionante e determinante para o real significado da trama que tenho que parar a leitura toda vez que leio (da primeira vez que li fiquei tão chocado que não consegui terminar de ler a edição naquele mesmo dia). E o último número, maior (160 pgs) e que contém não só o desenrolar da trama, chegando à conciliação (e não à guerra) como solução do conflito básico superfície vs. Zalem pelas mãos de Gally, como também a revelação do passado da protagonista, incluindo uma maravilhosa contraposição da personagem com a sua personalidade passada – são completamente diferentes – por meio da mudança de uma pergunta que Gally se faz o mangá todo: “Por que eu luto?” A resposta costuma ser “por mim” e é diferente neste flashback (pra saber leiam).
Gunnm é tão perfeito e complexo que recomendo seriamente que leiam, mudará suas percepções da realidade de maneira que só obras centrais da ficção científica conseguem, como a Fundação de Asimov e O Jogo do Exterminador de Orson Scott Card.
PS: O autor Yukito Kishiro está reescrevendo o final de Gunnm em um novo mangá chamado Gunnm Last Order, que ainda não li. O motivo que ele deu é que não conseguiu escrever exatamente o que queria da primeira vez. Como já disse aqui, Gunnm é uma obra fechada, coesa e maravilhosa, duvido seriamente que o final pudesse ser melhor, o que levanta a velha discussão: Porque alguns autores nunca estão contentes com suas obras mesmo quando elas são unanimidades da crítica? De qualquer forma eu espero que alguém publique aqui essa “revisão”, de preferência a JBC que fez um trabalho maravilhoso com Gunnm, provavelmente o melhor que a editora já fez. E quando isso ocorrer podem ter certeza que vou resenhar aqui.
PS2: Essa resenha ficou gigante e mesmo assim não falei metade do que tinha pra falar, me concentrei nos personagens e não na trama, porque achei que assim contaria o mínimo de Spoilers possível e mesmo assim foram vários. Mas uma interessante discussão que poderia ser levantada é dimensão religiosa desta história, que se faz presente em todo o mangá. Um povo sem esperança abraça a religião sem nem pensar como consolo imediato e é – na minha opinião – um pouco disso que trata Gunnm, sem falar na óbvia relação entre a cidade espacial Jeru e a cidade de Zalem (liguem os pontos), que são conectadas pela “Escada de Jacó”. Vale ainda a dica do ótimo posfácio do autor na última edição. Por isso volto a insistir, leiam Gunnm!
PS3: Faz um tempão que eu não escrevo aqui... é que estou planejando uma atração nova pra esse blog, fiquem atentos que logo (espero) virá.
cotação:

Lombada das 18 edições brasileiras de Gunnm, formando o desenho da capa do 1º mangá, foto (mal) tirada por mim mesmo da minha coleção.
Terça-feira, Julho 28, 2009
Eisner 2009
Sairam os ganhadores do Eisner desse ano, e All Star Superman levou de melhor série e pra comemorar eu publicarei uma resenha de TODAS as edições aqui, na sexta feira.
Até lá... e fiquem com a lista completa dos vencedores:

Até lá... e fiquem com a lista completa dos vencedores:

- Melhor História Curta: “Murder He Wrote,” por Ian Boothby, Nina Matsumoto, and Andrew Pepoy, em The Simpsons’ Treehouse of Horror #14 (Bongo)
- Melhor Série: All Star Superman. por Grant Morrison and Frank Quitely (DC)
- Melhor Série Fechada: Hellboy: The Crooked Man, por Mike Mignola e Richard Corben (Dark Horse)
- Melhor Série Nova: Invincible Iron Man, por Matt Fraction ae Salvador Larocca (Marvel)
- Melhor Publicação para Crianças: Tiny Titans, por Art Baltazar e Franco (DC)
- Melhor Publicação para Adolescentes: Coraline, por Neil Gaiman (HarperCollins Children’s Books)
- Melhor Antologia: Comic Book Tattoo: Narrative Art Inspired by the Lyrics and Music of Tori Amos, editado por Rantz Hoseley (Image)
- Melhor Webcomic: Finder, por Carla Speed McNeil, www.shadowlinecomics.com/webcomics/#/finder/
- Melhor Trabalho Baseado na Realidade: What It Is, por Lynda Barry (Drawn & Quarterly)
- Melhor Graphic Novel: Swallow Me Whole, por Nate Powell (Top Shelf)
- Melhor Reimpressão de Graphic Novel: Hellboy Library Edition, vols. 1 and 2, por Mike Mignola (Dark Horse)
- Melhor Coleção de Tiras: Little Nemo in Slumberland, Many More Splendid Sundays, por Winsor McCay (Sunday Press Books)
- Melhor Arquivamento: Creepy Archives, por vários (Dark Horse)
- Melhor Edição Americana de Material Estrangeiro: The Last Musketeer, por Jason (Fantagraphics)
- Melhor Edição Americana de Material Japonês: Dororo, por Osamu Tezuka (Vertical)
- Melhor Escritor: Bill Willingham, Fables, House of Mystery (Vertigo/DC)
- Melhor Escritor/Artista: Chris Ware, Acme Novelty Library (Acme)
- Melhor Arte-Finalista: Guy Davis, BPRD (Dark Horse)
- Melhor Pintor: Jill Thompson, Magic Trixie, Magic Trixie Sleeps Over (HarperCollins Children’s Books)
- Melhor Capista: James Jean, Fables (Vertigo/DC); The Umbrella Academy (Dark Horse)
- Melhor Colorizador: Dave Stewart, Abe Sapien: The Drowning, BPRD, The Goon, Hellboy, Solomon Kane, The Umbrella Academy (Dark Horse); Body Bags (Image); Captain America: White (Marvel)
- Melhor Letrista: Chris Ware, Acme Novelty Library #19 (Acme)
- Melhor Publicação de Quadrinhos: Comic Book Resources, produzido por Jonah Weiland (www.comicbookresources.com)
- Melhor Publicação Relacionada a Quadrinhos: Kirby: King of Comics, por Mark Evanier (Abrams)
- Melhor Design de Publicação: Hellboy Library Editions, desenhado por Cary Grazzini e Mike Mignola (Dark Horse)
- Hall da Fama: Harold Gray, Graham Ingels, Matt Baker, Reed Crandall, Russ Heath, Jerry Iger
- Prêmio Will Eisner “Spirit of Comics” de Melhor Revendedor: Tate’s Comics, Fort Launderdale, Florida, USA
Quarta-feira, Julho 15, 2009
Dia do Rock - lista

Continuando o "especial" do dia do rock, eu selecionei 15 músicas de rock (10 gringas e 5 nacionais) que eu acho que dão um belo panorama da coisa toda. São múscicas que eu gosto muito, e esse foi o único critério. Não repeti artistas e a lista está em ordem alfabética.
Alagados - Paralamas do Sucesso (Selvagem?)
Selvagem? é o melhor disco do Paralamas, um grande mistura de rock, reggae e ska, Alagados é a melhor música do disco. Só isso.
Bichos Escrotos - Titãs (Cabeça Dinosauro)
Com Cabeça Dinosauro os Titãs não só se reinventaram, abrindo portas para a melhor fase de sua carreira, como produziram a melhor obra do rock nacional pós-Mutantes. O ápice disso? Bichos Escrotos, que chegou a ser proibida de tocar nas rádios, que a tocavam mesmo assim.
Bohemian Rhapsody - Queen (A night at the opera)
Essa é considerada por muitos a melhor de todas as músicas. Tem um porquê. Nessa obra-prima (parte do disco A night at the opera, o melhor do Queen) a mistura de gêneros atinge a perfeição.
Gimme Shelter - Rolling Stones (Let it bleed)
Minha favorita dos Stones, uma das melhores já gravadas. E afinal quem nunca pediu abrigo?
Heroin - Velvet Underground (Velvet Underground & Nico)
O disco Velvet Underground & Nico, o primeiro do Velvet Underground, não vendeu o suficiente para comprar um maço de cigarros Iolanda, mas com o tempo se mostrou um dos melhores já feitos. Heroin é sua música mais emblemática.
Highway to hell - ACDC (Highway to hell)
Muita gente prefere o ACDC a partir do Back in Black (que é um disco maravilhoso), eu acho que o melhor deles é esse disco de 79, que abre com a música título, um rock honesto, sem nenhuma firula e por isso absolutamente genial.
Like a Rolling Stone - Bob Dylan (Highway 61 Revisited)
Quando Dylan gravou Highway 61 Revisited, seus fãs cairam de pau em cima dele, coroando-o como traidor do folk. Graças a Deus, sua estréia no rock é sensacional e a primeira música do disco é o hino máximo do século 20, Like a Rolling Stone.
Master of puppets - Metallica (Master of Puppets)
Master of puppets foi o terceiro e melhor disco do Metallica, e sua música título é até hoje o hino do metal. Achou pouco? Eu não!
Ouro de tolo - Raul Seixas (Krig ha bandolo)
"Eu devia estar contente por que eu tenho um emprego sou um dito cidadão respeitavel e ganho 4 mil cruzeiros por mês". Dessa maneira Raulzito forçou sua entrada no rol dos grandes artistas de todos os tempos.
Ovelha Negra - Rita Lee & Tutti Frutti (Fruto Proibido)
Fruto proibido é o disco de rock mais de rock já gravado no Brasil. Termina com Ovelha negra, uma das mais famosas de Rita Lee e que tem o riff mais sensacional do rock brasileiro.
Panis et circensis - Os Mutantes (Os Mutantes)
Primeira faixa do primeiro disco dos Mutantes (e terceira do clássico Tropicália) Panis et circensis é um delírio beatleniano sensacional. A melhor gravação do rock nacional.
Rocket Man - Elton John (Honky Château)
Elton John tem muitas músicas sensacionais, mas Rocket Man passa do limite. E como eu venero Elton John...
Strawberry Fields Forever - The Beatles (Magical Mistery Tour)
Os Beatles foram tão bons que eu poderia ter feito essa lista só com músicas deles e a qualidade seria a mesma, mas como eu me forcei a escolher só uma, os motivos foram sentimentais. Essa é a minha favorita deles. E foi o lado A do melhor single já lançado (o lado B era Penny Lane).
Suspicious Minds - Elvis Presley (single)
O que falar de um cara que é conhecido como o rei do rock? Elvis poderia ter várias na lista, mas optei por essa, a minha favorita dele, já da fase gordão.
Thunder Road - Bruce Springsteen (Born to Run)
Essa é possivelmente a minha música favorita, mas não é por preferencias pessoais que ela esta aqui, e sim por méritos próprios. Uma das aberturas de album mais perfeitas já gravadas, tem Springsteen no auge (e isso é muito em se tratando de um artista tão constante) cantando com toda emoção do mundo uma letra não menos que brilhante acompanhado da melhor banda do mundo. De chorar.
Alagados - Paralamas do Sucesso (Selvagem?)
Selvagem? é o melhor disco do Paralamas, um grande mistura de rock, reggae e ska, Alagados é a melhor música do disco. Só isso.
Bichos Escrotos - Titãs (Cabeça Dinosauro)
Com Cabeça Dinosauro os Titãs não só se reinventaram, abrindo portas para a melhor fase de sua carreira, como produziram a melhor obra do rock nacional pós-Mutantes. O ápice disso? Bichos Escrotos, que chegou a ser proibida de tocar nas rádios, que a tocavam mesmo assim.
Bohemian Rhapsody - Queen (A night at the opera)
Essa é considerada por muitos a melhor de todas as músicas. Tem um porquê. Nessa obra-prima (parte do disco A night at the opera, o melhor do Queen) a mistura de gêneros atinge a perfeição.
Gimme Shelter - Rolling Stones (Let it bleed)
Minha favorita dos Stones, uma das melhores já gravadas. E afinal quem nunca pediu abrigo?
Heroin - Velvet Underground (Velvet Underground & Nico)
O disco Velvet Underground & Nico, o primeiro do Velvet Underground, não vendeu o suficiente para comprar um maço de cigarros Iolanda, mas com o tempo se mostrou um dos melhores já feitos. Heroin é sua música mais emblemática.
Highway to hell - ACDC (Highway to hell)
Muita gente prefere o ACDC a partir do Back in Black (que é um disco maravilhoso), eu acho que o melhor deles é esse disco de 79, que abre com a música título, um rock honesto, sem nenhuma firula e por isso absolutamente genial.
Like a Rolling Stone - Bob Dylan (Highway 61 Revisited)
Quando Dylan gravou Highway 61 Revisited, seus fãs cairam de pau em cima dele, coroando-o como traidor do folk. Graças a Deus, sua estréia no rock é sensacional e a primeira música do disco é o hino máximo do século 20, Like a Rolling Stone.
Master of puppets - Metallica (Master of Puppets)
Master of puppets foi o terceiro e melhor disco do Metallica, e sua música título é até hoje o hino do metal. Achou pouco? Eu não!
Ouro de tolo - Raul Seixas (Krig ha bandolo)
"Eu devia estar contente por que eu tenho um emprego sou um dito cidadão respeitavel e ganho 4 mil cruzeiros por mês". Dessa maneira Raulzito forçou sua entrada no rol dos grandes artistas de todos os tempos.
Ovelha Negra - Rita Lee & Tutti Frutti (Fruto Proibido)
Fruto proibido é o disco de rock mais de rock já gravado no Brasil. Termina com Ovelha negra, uma das mais famosas de Rita Lee e que tem o riff mais sensacional do rock brasileiro.
Panis et circensis - Os Mutantes (Os Mutantes)
Primeira faixa do primeiro disco dos Mutantes (e terceira do clássico Tropicália) Panis et circensis é um delírio beatleniano sensacional. A melhor gravação do rock nacional.
Rocket Man - Elton John (Honky Château)
Elton John tem muitas músicas sensacionais, mas Rocket Man passa do limite. E como eu venero Elton John...
Strawberry Fields Forever - The Beatles (Magical Mistery Tour)
Os Beatles foram tão bons que eu poderia ter feito essa lista só com músicas deles e a qualidade seria a mesma, mas como eu me forcei a escolher só uma, os motivos foram sentimentais. Essa é a minha favorita deles. E foi o lado A do melhor single já lançado (o lado B era Penny Lane).
Suspicious Minds - Elvis Presley (single)
O que falar de um cara que é conhecido como o rei do rock? Elvis poderia ter várias na lista, mas optei por essa, a minha favorita dele, já da fase gordão.
Thunder Road - Bruce Springsteen (Born to Run)
Essa é possivelmente a minha música favorita, mas não é por preferencias pessoais que ela esta aqui, e sim por méritos próprios. Uma das aberturas de album mais perfeitas já gravadas, tem Springsteen no auge (e isso é muito em se tratando de um artista tão constante) cantando com toda emoção do mundo uma letra não menos que brilhante acompanhado da melhor banda do mundo. De chorar.
Segunda-feira, Julho 13, 2009
Dia do Rock - Micro-resenhas
Como esse blog ficou escostado muito tempo, resolvi fazer algo especial para ressuscitá-lo, o tal do dia do rock veio bem a calhar.
Dividi o meu "especial" em 3 partes. Hoje, Quarta e Sexta.
Para hoje - que efetivamente é o Dia do Rock - eu fiz algumas resenhas de discos de rock... o motivo de resenhar esses discos? São dois. Primeiramente são discos sensacionais, posto isso, são discos que andei escutando muito nos últimos tempos. Aí vai:
Dividi o meu "especial" em 3 partes. Hoje, Quarta e Sexta.
Para hoje - que efetivamente é o Dia do Rock - eu fiz algumas resenhas de discos de rock... o motivo de resenhar esses discos? São dois. Primeiramente são discos sensacionais, posto isso, são discos que andei escutando muito nos últimos tempos. Aí vai:
Conheci o Matanza meio por acaso. Estava lendo algumas resenhas sobre Johnny Cash - um de meus artistas favoritos - quando vi que essa banda havia feito um disco em homenagem a Cash ("To Hell With Johnny Cash" de 2005), fui atras do disco e escutei. Não achei grande coisa, algumas versões são interessantes, mas as versões originais são intocaveis, então ficaria muito difícil mesmo. Depois disso esqueci o Matanza por um tempo, até que assisti na MTV o clipe de "Eu não gosto de ninguém" e achei sensacional, procurei o disco e cheguei até aqui.
A arte do insulto é provavelmente um dos melhores discos do rock nacional na década, honesto (e isso é muita coisa), direto, ousado e efetivamente despretencioso, qualidades raras para um rock que aprendeu, já a algum tempo, a se levar a sério demais. O Matanza é o oposto completo dessa patotada que virou o rock nos últimos anos.
O disco começa com a música título, um compêndio de xingamentos, e só isso, e aí reside a grande qualidade do disco: não esperar muito de si mesmo e, por isso, chegar a um resultado - por vezes - genial.
O rock pesado e cru casa imensamente bem com as letras sarcásticas cantadas pela voz ainda mais sarcástica de Jimmy. Coisas como: "Mesmo que eu pudesse controlar a minha raiva, mesmo que eu quisesse conviver com a minha dor, nada sairia do lugar que já estava, não seria nada diferente do que sou, não quero que me veja, não quero que me chame, não quero que me diga, não quero que reclame, eu espero que você entenda bem, eu não gosto de ninguém."
Com o disco todo seguindo essa linha, os destaques ficam com "Meio Psicopata", "Clube dos canalhas", "Estamos todos bebendo", "A arte do insulto" e "Eu não gosto de ninguém" a melhor do disco.
Em suma, um disco originalíssimo, sem ser chato. Um primor. Altamente recomendado.
cotação:
David Bowie é uma das figuras mais curiosas da música mundial. Artista altamente criativo foi, por muitas décadas, um dos pilares da evolução do rock em forma de arte. Se eu disse - na crítica anterior, ao Disco do Matanza - que estava descontente com os caminhos do rock hoje em dia, reforço meu argumento, não acho que o rock feito hoje, cheio de pretenção e ares de salvador da música seja digno de uma Mariola. No caso de Bowie - em especial esse album, junto com o Hunky Dory, de 71 - a pretenção e os ares de salvador da música caem muito bem. O nível de qualidade da música do fim da década de 60 e começo da década de 70 permitiam isso, as experimentações podiam chegar a níveis esquizofrênicos, e foram essas experimentações que fizeram esse periodo ser conhecido como o mais fértil da música popular em todos os tempos.
The rise and fall of Ziggy Stardust and the spiders from Mars é, talvez, o disco que melhor ilustra esse momento, é um album conceitual , e dentro de sua aparência de loucura e possível ingenuidade repousa um calderão de experimentação que resulta em uma música incrivelmente inventiva e - principalmente - de qualidade, como somente Bowie é capaz de fazer.
Os destaques ficam para a abertura sensacional "Five Years", o clássico "Starman", que ganhou a versão mais bizonha de todos os tempos na década de 90 (Astronauta de Mármore - Nenhum de Nós, lembram?), "Ziggy Stardust" ... bom, o disco inteiro é irrepreensível.
A versão especial em CD ainda traz 7 faixas bonus com outras versões de Ziggy Stardust, Lady Stardust e Starman. Mas eu ainda fico com a versão original.
cotação:
The rise and fall of Ziggy Stardust and the spiders from Mars é, talvez, o disco que melhor ilustra esse momento, é um album conceitual , e dentro de sua aparência de loucura e possível ingenuidade repousa um calderão de experimentação que resulta em uma música incrivelmente inventiva e - principalmente - de qualidade, como somente Bowie é capaz de fazer.
Os destaques ficam para a abertura sensacional "Five Years", o clássico "Starman", que ganhou a versão mais bizonha de todos os tempos na década de 90 (Astronauta de Mármore - Nenhum de Nós, lembram?), "Ziggy Stardust" ... bom, o disco inteiro é irrepreensível.
A versão especial em CD ainda traz 7 faixas bonus com outras versões de Ziggy Stardust, Lady Stardust e Starman. Mas eu ainda fico com a versão original.
cotação:


Kill'Em All - Metallica (1983)
Esse primeiro disco do Metallica só pode ser definido de uma maneira: uma grande e destrutiva pancada na cara do ouvinte. Cru - e nesse caso a palavra cabe a perfeição, nenhum disco já feito é mais cru que esse -, as vezes até tosco. Esse é um daqueles casos raríssimos de produção precária que dão em uma obra-prima. O Metallica tem outros discos sensacionais, como "...And Justice for all" e "Ride the lightning", tem discos melhores, como a obra-prima "Master of Puppets" mas nenhum deles define melhor o espírito primordial da banda - que se perdeu com o tempo - como esse primeiro. Kirk Hammet não participou da composição das músicas, apenas da gravação - já que entrou em cima da hora no lugar do bebaço David Mustaine - mas já mostra aqui a velocidade alucinante e a qualidade de sua técnica que o tornariam uma lenda. Clif Burton ainda não era o melhor baixista do mundo, como viria a ser nos discos seguites (antes de morrer em um acidente), e Lars Ulrich dá conta do recado, apesar de não ser um bateirista genial. O destaque mesmo fica com James Hatfield, que parece um maníaco cantando nesse disco, com um ímpeto que ele deixou pra tras faz tempo.
O disco começa de maneira arrasadora com "Hit The Lights", uma explosão de fúria que é um chute no saco ("No life 'till leather...") e prossegue por clássicos como "Motorbreath", "Jump in the Fire", "Whiplash" (que tipo de animal faz uma música chamada torcicolo!), o hino "Seak and Destroy" (Running, On our way Hiding, You will pay Dying, One thousand deaths ) e "Metal Militia". O disco é tão bom que eu citei quase todas as músicas.
Em suma, se você quer entender o metal esse é o disco para começar a "reeducação", acredite, "We never want to stop again"!
cotação:
( resenhei esse do vinil, Yeah!)
É difícil resenhar a última obra-prima dos Beatles (última tanto por ser de fato o último disco a ser gravado, como por Let it Be, que foi lançado depois, apesar de ótimo, é inconstante.), ou talvez seja mais fácil do que parece.
É interessante começar pela capa lendária, provavelmente a capa de disco mais famosa de todos os tempos. A belíssima fotos foi e continua sendo alvo de suspeita de diversos fãs que acreditam na história da morte do Paul, mas isso não vem ao caso, basta dizer que a capa é tão emblemática que provavelmente, junto com a capa de Sgt. Pepper's, seja a capa mais copiada de todos os tempos.
O disco começa com a sensacional "Come Together", na minha opinião a melhor abertura de um album dos Beatles, prossegue com a "melhor música de amor de todos os tempos" "Something", o auge de George Harrison como compositor (e isso definitivamente não é pouca coisa). Harrison, alias, tem outra obra-prima no disco, a alegre "Here comes the sun". Outras obras primas? "I want you", "Maxewell's Silver Hammer","Because" e a trinca final "Golden Slumbers", "Carry that weight" e "The End" que configura o encerramento perfeito para a melhor banda de todos os tempos, com direito até a epílogo na escondidinha e graciosa "Her Majesty".
cotação:
Quarta feira eu volto a atualizar essa joça. E logo coloco também a resenha do novo Harry Potter (assim que eu assistir).
É difícil resenhar a última obra-prima dos Beatles (última tanto por ser de fato o último disco a ser gravado, como por Let it Be, que foi lançado depois, apesar de ótimo, é inconstante.), ou talvez seja mais fácil do que parece.
É interessante começar pela capa lendária, provavelmente a capa de disco mais famosa de todos os tempos. A belíssima fotos foi e continua sendo alvo de suspeita de diversos fãs que acreditam na história da morte do Paul, mas isso não vem ao caso, basta dizer que a capa é tão emblemática que provavelmente, junto com a capa de Sgt. Pepper's, seja a capa mais copiada de todos os tempos.
O disco começa com a sensacional "Come Together", na minha opinião a melhor abertura de um album dos Beatles, prossegue com a "melhor música de amor de todos os tempos" "Something", o auge de George Harrison como compositor (e isso definitivamente não é pouca coisa). Harrison, alias, tem outra obra-prima no disco, a alegre "Here comes the sun". Outras obras primas? "I want you", "Maxewell's Silver Hammer","Because" e a trinca final "Golden Slumbers", "Carry that weight" e "The End" que configura o encerramento perfeito para a melhor banda de todos os tempos, com direito até a epílogo na escondidinha e graciosa "Her Majesty".
cotação:

Quarta feira eu volto a atualizar essa joça. E logo coloco também a resenha do novo Harry Potter (assim que eu assistir).
Domingo, Março 08, 2009
Sou Ronaldo!

É... e continuam a duvidar do cara... o que ele precisa fazer para que parem de duvidar que ele pode voltar e voltar e voltar quantas vezes quiser e precisar? Fazer chover? Isso se já não fez! O que diferencia Ronaldo de TODOS os outros jogadores de futebol em atividade no mundo não é só superação, é na verdade muito simples: Genialidade!
O gol contra o Palmeiras (alias, fora o Ronaldo, que joguinho ruim...) é só o (re)começo de uma carreira brilhante, uma trajetória conturbada, mas acima de tudo genial. Ainda pairam dúvidas sobre as condições dele voltar a jogar 100%... eu não me arrisco a duvidar. alguém aí se arrisca?
PS: O Manchester já deve saber onde enfia o estoque de camisetas "Só exite um Ronaldo" que eles mandaram fazer pro Cristiano-faz-me-rir-Ronaldo...
PS2: Aí em baixo um video com os absurdos 15 gols que ele marcou em copas... com um belo destaque para os 8 em 2002 (e com a musica que o D2 fez para ele tocando de fundo):
O gol contra o Palmeiras (alias, fora o Ronaldo, que joguinho ruim...) é só o (re)começo de uma carreira brilhante, uma trajetória conturbada, mas acima de tudo genial. Ainda pairam dúvidas sobre as condições dele voltar a jogar 100%... eu não me arrisco a duvidar. alguém aí se arrisca?
PS: O Manchester já deve saber onde enfia o estoque de camisetas "Só exite um Ronaldo" que eles mandaram fazer pro Cristiano-faz-me-rir-Ronaldo...
PS2: Aí em baixo um video com os absurdos 15 gols que ele marcou em copas... com um belo destaque para os 8 em 2002 (e com a musica que o D2 fez para ele tocando de fundo):
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