quarta-feira, setembro 08, 2004

10 clichês do cinema americano que não aconteceriam na vida real



Chegamos à sétima lista das nossas comemorações! Desta vez a Silvana Sch apareceu pra fechar o time do Puxa Cachorra aqui no Han! A Silvana sempre foi a autora mais produtiva do Puxa e me enviou uma lista exatamente no estilo das que ela escrevia pro nosso querido e finado site. Então já sabem, é diversão certa!


Oras, lista de clichês do cinema é
 praticamente lista de filmes do Tom Cruise

A vida imita a arte. Ou a arte imita a vida? Nunca me lembro... Enfim, em se tratando de cinema, a arte não imita a vida, muito pelo contrário. O que nós vemos na telinha são diálogos profundos que ninguém teria, cenas de tiroteio e/ou lutas que desafiam todas as probabilidades, crianças prodígio, dentre outras aberrações que fazem você pensar: por que a minha vida não é assim? Why, Lord, why?! Pois hoje estamos novamente aqui reunidos para dar uma boa olhada nas mentiras que a sétima arte nos conta. Corre pegar a pipoca amanteigada, aquela com cheiro de chulé, que a sessão já vai começar!


10 - Abandonando o amado

Comecem a reparar. Quando alguém decide ir embora de casa e deixar a sua metade da laranja para sempre, em lugar de chamar o caminhão de mudança e levar desde o aspirador de pó até o gato, a pessoa, desapegada que só ela, corre para o armário e pega as três primeiras peças de roupa que vê, joga numa mala minúscula com cabide e tudo e vai embora. Assim, desse jeito assim. Não leva nem o desodorante. Nem a escova de dentes! Se fosse comigo eu chamava uma Kombi (sou uma pessoa de poucas posses) e levava tudo, até o resto do sabonete.


9 - A saraivada de palmas

A saraivada de palmas é um recurso muito comum nos filmes americanos também. Sempre começa de forma solitária, aí vai contagiando a galera feito H1N1, quando vê tá todo mundo batendo palma, emocionados, fazendo uhu, de pé, explode coração, é muita emoação no ar. É pra mocinha que resolve dar um basta na bullynadora, é pro funcionário que manda o chefe para o inferno, é pra equipe fracassada de basquete que perdeu de 250 a 15. Desafio: na sua próxima reunião de equipe, quando alguém disser algo edificante, levante-se e comece a bater palmas pra ver se consegue contagiar os outros. Depois me conte.


8 - Crianças com maturidade de adultos e crianças tapadas
   
Está aí uma coisa que me irrita profundamente no cinema: frases elaboradíssimas e altamente inspiradas na boca de crianças de 10 anos. O pirralho mal sabe escrever, mas de repente solta um “a vida é feita de encontros e desencontros, Jack. Eu sei o que você está passando, mas você precisa ser forte. Como diria Clarice Lispector..." Por favor, né? E as crianças espiãs então? Elas são sarcásticas, geniais, sabem programar qualquer computador e lutam melhor que o Bruce Lee. E tem outra cena que nunca entendo: quando entra um assaltante na casa, por exemplo, em lugar de berrar, a criança só fica olhando para ele, sem um pingo de medo. Às vezes até oferece o que está comendo para o cara. Aí vem a mãe histérica e corre pegar o filho. Achei que as crianças americanas fossem mais espertas.


7 - A gangue mal preparada

Se eu tivesse uma organização do mal, escolheria os melhores bandidos para fazer parte dela. E isso inclui pessoas quem saibam atirar, seja com revólver ou com metralhadora, certo? Mas não. O que a gente sempre vê nos filmes: um mocinho com um revólver que tem apenas 12 tiros desbancar uma gangue inteira, que tem metralhadoras, granadas, mísseis teleguiados... E é interessante como os bandidos sempre erram o tiro, mesmo que estejam a 5 metros do mocinho. Não sei se é essa mania que os bandidos de filmes tem de atirar como se estivessem brincando de laser point com um gato, sabem como? Aí depois que passou a saraivada, o mocinho se levanta e com um tiro apenas mata o bandido. E ainda tem o clássico escudo humano em que a bala nunca atravessa o corpo do bandido morto que serve de escudo. Vixe, dá pra discutir por horas...


6 - Os aposentados fodões

Outro clichê que você já deve ter visto dezenas de vezes. Vejam, em qualquer área de atuação sempre existem pessoas muito bem preparadas para resolver qualquer tipo de problema ou situação, certo? Errado. Os filmes americanos adoram convocar um aposentado. Aquele cara que é assim, uma lenda. Oh, houve um sequestro, e o FBI não consegue elucidar o caso. Chama o véio! Puxa, precisamos explodir esse meteoro, e a Nasa não sabe como! Chama o véio! Precisamos lidar com terroristas, mas a CIA não tem gente preparada! Chama o véio! Fala sério, será que nenhum agente na ativa é capaz de resolver os casos? E aqui ainda há o clichê do clichê: o cara vai se aposentar e no seu último dia de trabalho acontece uma catástrofe que faz com que ele tenha que se envolver em um derradeiro caso. E é claro que ele vai levar um tiro no braço e o filme vai terminar com um churrasco.


5 - As cenas de luta

Essas são de arrancar palavrões de indignação. Mais uma vez, é a tal da gangue mal preparada. Nunca briguei na vida, mas vejam, se existem dez pessoas contra uma, por que, por que, POR QUE todos os bandidos não atacam o mocinho de uma vez? Por que eles fazem uma rodinha (vamos abrir a roda...) de capoeira ao redor do mocinho e vão lutando um a um? Não seria mais fácil alguém chegar por trás e dar uma paulada na cabeça do mocinho, enquanto dois atacam pela frente? Mesma coisa nas cenas com espadas. Ataquem todos juntos, seus burros! Outra coisa interessante é que os bandidos desmaiam  apenas com um soco no queixo (os bandidos figurantes, é claro. O chefão demora mais), mas o mocinho não. O mocinho leva porrada até no céu da boca e nada. Nem com olho roxo ele fica, no máximo um corte. E isso nos leva para o próximo item.


4 - Ai como dói

Vejam, o mocinho apanhou um monte, mas matou 85 bandidos. Aí só quando a mocinha chega naquele cenário de corpos e destruição é que ele cai duro. Corta para a cena do cara deitado na cama, com um braço enfaixado ou coisa que o valha. Aí chega a mocinha com um paninho úmido ou merthiolate para limpar um cortezinho de nada na testa do cara. O que nosso herói faz? Uma careta de dor (ai! Doeu!) como se estivesse sendo torturado. E claro, ele pode ter sido eletrocutado, pode ter tido suas bolas espremidas com um esmagador de alho, mas o que ele vai sentir de verdade é a limpeza do cortezinho na testa. Homens, expliquem essa.


3 - O indisciplinado que vira herói

Outro personagem que tá todo mundo careca de ver é o indisciplinado que acaba salvando a pele de todo mundo e virando herói no final. Vejamos, o cara é do tipo malandrão, está sempre bebendo, ou dirigindo alucinadamente, ou seja, curtindo a vida adoidado mesmo. E é claro que em lugar de mandarem o sujeito pastar (e sempre vai ter um professor ou um chefe que vai tentar se livrar dele), mandam o cara para campo e aí vai se seguir uma sequência de atos irresponsáveis que culminam com o sucesso da operação. Quer dizer, você que é disciplinado, tem espírito de equipe e segue ordens nunca vai ter sucesso. Pelo menos nos filmes americanos. Minha dica: continue assim.


2 - A super equipe

Querem mais do mesmo? Vamos lá. Alguém precisa roubar um diamante que é super hiper mega protegido por um sistema de alarme super hiper mega foda, impossível de atravessar. Como faremos isso? Convocando uma super equipe, onde cada um domina profundamente uma especialidade. Vejamos: tem o cara que sabe tudo de explosivos. O cara que é um super nerd para comandar a parte computacional da coisa. O fortão que vai bater em todo mundo. O contorcionista que vai entrar no sistema de alarme por um buraco e desviar de todos os sensores. O cara charmoso que vai conseguir alguns acessos importantes ao prédio com a sua malandragem. A gostosa que dá porrada e atira. O cara sério que toma conta da operação toda e provavelmente serviu no Vietnã. Faltou alguém?


1 - O monólogo do chefão

Sempre, sempre e sempre. Podem apostar. Em qualquer filme que tenha  um chefão, mesmo que o chefão seja um Zé Roela, na hora em que o mocinho  vai ao seu esconderijo ou a sua boate para confrontá-lo, o chefão conta uma história edificante, como essas que a gente vê no Facebook. Por exemplo, se ele está sentado à mesa com um copo na mão ele vai falar coisas como: “Você sabe como essa bebida é produzida, John? As abelhas são presas por 3 dias sem se alimentar e então são soltas nos campos de flores e alimentam-se furiosamente. E assim você sente o gosto da ira, John. Eu sou como essas abelhas, John”. Mas ele também pode fazer isso enquanto olha através de uma janela, de costas para o mocinho. No fim do filme, antes de acabar com o chefão, o mocinho vai fazer a ponte com o discurso e dar uma lição de moral: “E eu sou o inseticida, Anthony”.  Bingo!

A cena do Neo com o Arquiteto é o ápice disso!
E é uma bosta...
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Nada a acrescentar aqui. Só que ri de chorar com o diálogo entre o chefão e o mocinho do parágrafo
 final!


2 comentários:

Fábio Leonardo Brito disse...

Sensacional! O diálogo foi a cereja do bolo. Mas a parte dos moleques que oferecem a comida pro bandido é típica. hahaha

Guilherme Matos disse...

Hmmm na verdade o item 4 até tem explicação. Na hora da luta ou em momentos de tensão o corpo do mocinho estava liberando adrenalina em todo o seu sistema, o que também serve meio como um anestésico. Por isso ele não sentiu tanta dor enquanto apanhava/era torturado.

(porém, isso não explica porque ele não estava se dobrando de dor igual a um feto depois que o momento passou)

E quanto ao item 2, faltou o chefão da super equipe que financia a porra toda e quando pegarem o diamante ele vai trair todo mundo e fugir, fazendo com que a super equipe tenha que ir atrás dele pelo resto do filme.

Que bom que teve mais uma lista da Silvana! Eram as que eu mais gostava lá no Puxa hehe