terça-feira, agosto 28, 2007

Poema de amor tardio (de novo)

(22/08/07)
Sem teus olhos (a temática da minha vida),
sem eles eu estaria preso ainda
à reles caricaturas.
À faces sorridentes,
ou ainda, à faces sombrias,
tolices.
Eu vejo por tras dos teus olhos,
tão pálida e tão frágil,
insensível aos meus anseios,
doce e cruel,
torpe combinação.

Sem teus olhos (o sentido por tras das minhas palavras),
sem eles eu estaria ainda dormente,
alheio à todo esse cruel jogo de faces.
Faces sorridentes,
faces sombrias,
faces medonhas em meio a frases mentirosas.
Dilacera-me a alma
essa sua sutil negação.

Sem teus olhos (essas sensuais esferas dissimuladas),
sem eles eu estaria ainda coberto de razão.
Se foi a razão,
junto às faces sorridentes, sombrias ou medonhas.

Sem teus olhos (mentirosos),
sem eles eu talvez tivesse notado
as negações do seu corpo.

Sem teus olhos (chorosos),
sem eles talvez eu tivesse ainda lágrimas.


*Comecei a escrever esse poema logo apos o "poema de amor tardio", que já publiquei aqui, porém só havia feito os tres primeiros versos e travado. Só terminei semana passada... espero que esteja bom... e que alguém leia....

sexta-feira, agosto 17, 2007

Poemas minuto

Do Tempo do Onça

Falar do tempo do onça é do tempo do onça.

Coração paciente

Sorri teus lábios, e me espera, não tardo,
Venho logo e trago meu coração pro jantar.

Uma única face

Quando nasci não veio anjo nenhum,
O médico deu um tapa na minha bunda,
E eu chorei,
Estava aí o prenuncio da vida toda.


Dor

A dor punge
Sob o peso
Da impossível felicidade

*Estes são quatro poeminhas que eu li com um amigo meu (Thiago) em um sarau na FCL-Unesp Araraquara ano passado, o número, se é que posso chamar assim, chamava-se 30 poemas minuto em 5 minutos e tinha poemas do Thiago também, além de alguns poemas de autores conhecidos e tal...

quarta-feira, agosto 08, 2007

Catulo - Carmina LXXXV (tradução)

LXXXV

Odi et amo. quare id faciam, fortasse requiris.
nescio, sed fieri sentio et excrucior.

LXXXV

Odeio e amo. Por que faço isso? Perguntarás.
Não sei, apenas sinto e me crucio.

Trad. Arthur Malaspina


* Continuando o último post... esse poema foi bem mais simples de traduzir, fiz opção por um alexandrino e um decassílabo, para tentar equivaler o hexêmetro e o pentâmetro originais. Não sei se foi a melhor opção. Poderia ser feito com um decassílabo e um octasílabo, mas não consegui. Outra opção seria perder o dístico original e fazer uma quadra em redondilhas maiores rimadas... (alias...vou parar de por traduções, mas é que ultimamente estou bem pouco inspirado para escrever poemas...)