sexta-feira, janeiro 23, 2009

Os Indicados ao Oscar 2009


Como comentei os indicados ao Framboesa de Ouro, acho mais do que justo comentar os indicados ao Oscar também, mas primeiro a lista, vamos lá:

Melhor Filme

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Frost/Nixon
  • Milk - A Voz da Igualdade
  • O Leitor
  • Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator

  • Richard Jenkins - The Visitor
  • Frank Langella - Frost/Nixon
  • Sean Penn - Milk - A Voz da Igualdade
  • Brad Pitt - O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Mickey Rourke - O Lutador

Melhor Atriz

  • Anne Hathaway - O Casamento de Rachel
  • Angelina Jolie - A Troca
  • Melissa Leo - Rio Congelado
  • Meryl Streep - Dúvida
  • Kate Winslet - O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
  • Josh Brolin - Milk - A Voz da Igualdade
  • Robert Downey Jr. - Trovão Tropical
  • Philip Seymour Hoffman - Dúvida
  • Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • Michael Shannon - Foi Apenas Um Sonho

Melhor Atriz Coadjuvante

  • Amy Adams - Dúvida
  • Penelope Cruz - Vicky Cristina Barcelona
  • Viola Davis - Dúvida
  • Taraji P. Henson - O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Marisa Tomei - O Lutador

Melhor Diretor
  • David Fincher - O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Ron Howard - Frost/Nixon
  • Gus Van Sant - Milk - A Voz da Igualdade
  • Stephen Daldry - O Leitor
  • Danny Boyle - Quem Quer ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original

  • Courtney Hunt - Rio Congelado
  • Mike Leigh - Simplesmente Feliz
  • Martin McDonagh - Na Mira do Chefe
  • Dustin Lance Black - Milk - A Voz da Igualdade
  • Andrew Stanton - WALL•E

Melhor Roteiro Adaptado

  • O Curioso Caso de Benjamin Button, Eric Roth e Robin Swicord
  • Dúvida, John Patrick Shanley
  • Frost/Nixon, Peter Morgan
  • O Leitor, David Hare
  • Quem Quer ser um Milionário?, Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro

  • Der Baader Meinhof Komplex
  • The Class
  • Departures
  • Revanche
  • Waltz with Bashir

Melhor Animação

  • Bolt - Supercão
  • Kung Fun Panda
  • WALL•E

Melhor Fotografia

  • A Troca, Tom Stern
  • O Curioso Caso de Benjamin Button, Claudio Miranda
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas, Wally Pfister
  • O Leitor, Chris Menges e Roger Deakins
  • Quem Quer Ser um Milionário?, Anthony Dod Mantle

Melhor Direção de Arte

  • A Troca
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • A Duquesa
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Figurino

  • Austrália
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • A Duquesa
  • Milk - A Voz da Igualdade
  • Foi Apenas um Sonho

Melhor Documentário

  • The Betrayal (Nerakhoon)
  • Encounters at the End of the World
  • The Garden
  • Man on Wire
  • Trouble the Water

Melhor Documentário em Curta-Metragem

  • The Final Inch
  • The Conscience of Nhem En
  • Smile Pinki
  • The Witness - From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • Frost/Nixon
  • Milk - A Voz da Igualdade
  • Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Maquiagem

  • O Curioso Caso de Benjamin Button, Greg Cannom
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas, John Caglione, Jr. e Conor O’Sullivan
  • Hellboy II - O Exército Dourado, Mike Elizalde e Thom Floutz

Melhor Trilha Sonora

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Um Ato de Liberdade
  • Milk - A Voz da Igualdade
  • Quem Quer Ser um Milionário?
  • WALL-E

Melhores Efeitos Visuais

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro

Melhor Canção Original

  • “Down to Earth”, WALL-E
  • “Jai Ho”, Quem Quer Ser um Milionário?
  • “O Saya”, Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Curta de Animação

  • La Maison en Petits Cubes
  • Lavatory - Lovestory
  • Oktapodi
  • Presto
  • This Way Up

Melhor Curta-Metragem
  • Auf der Strecke (On the Line)
  • Manon on the Asphalt
  • New Boy
  • The Pig
  • Spielzeugland (Toyland)

Melhor Edição de Som

  • Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • Homem de Ferro
  • Quem Quer se um Milionário?
  • WALL-E
  • O Procurado

Melhor Mixagem de Som

  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Batman - O Cavaleiro das Trevas
  • Quem Quer ser um Milionário?
  • WALL-E
  • O Procurado



Eu estava bem esperançoso que O Cavaleiro das Trevas fosse ser indicado nas categorias principais, mas claro que superistimei a Academia, que prefere indicar filmes "oscarizáveis" seja lá o que isso for. Dentre os indicados só vi o Benjamin Button, que é um filme muito bonito, mas que não é melhor de coisa nenhuma, acredito que algum dos outros quatro indicados deva ser melhor que esse... e convenhamos, a academia está cometendo mais uma vez aquele maldito erro de sempre, premiar um grande diretor por um filme menor, David Fincher deveria ter levado o seu por Clube da Luta ou Seven, bem melhores que Benjamin Button.

A categoria de diretor segue a risca a de filmes, e deve dar a mesma coisa nas duas, provavelmente Benjamin Button ou Quem Quer Ser Um Milionário? As categorias de atuação principal não foram surpresa, embora em torcesse para uma indicação de Clint Eastwood por Grand Torino, que não ocorreu. Acho que os prêmios devem ficar com Kate Winslet por O Leitor ou Meryl Streep por Dúvida entre as mulheres e entre os homens só Deus tira o prêmio de Mickey Rourke por O Lutador.

Nas categorias de ator e atriz coadjuvantes sem muitas surpresas também, entre as mulheres não arrisco palpite, porque essa é a categoria onde acontecem as zebras (alguém lembrou de Marisa Tomei?), entre os homens a maior barbada de todas, se Heath Ledger não levar, eu vou pessoalmente esbofetaear cada um dos membros da academia.

Os roteiros devem ir para Milk e Benjamin Button, respectivamente Original e Adaptado, ainda que o melhor mesmo seja Wall-E, que leva Melhor Animação com um pé nas costas. Acho que entre os prêmios técnicos Batman - O Cavaleiro das Trevas leva quase tudo, menos maquiagem, que deve ir para Benjamin Button e Efeitos Especiais, que deve ir para O Homem de Ferro.

A categoria de melhor música deveria ser abolida, sempre é a mesma palhaçada, músicas sem qualidade, interpretes horrorosos... mas esse ano a academia se superou, não indicar Bruce Springsteen por O Lutador beira o ridículo... e por que apenas 3 indicados, quando sempre foram 5? e se são 3, tem lógica indicar 2 músicas do mesmo filme? Espero que ganhe “Down to Earth” de Wall-E, que é a melhor concorrendo, apesar de a melhor mesmo ser a de Bruce Springsteen...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Indicados ao Framboesa de Ouro 2009

Enquanto espero ansiosamente os indicados ao Oscar (a lista saí amanhã de manhã), vou me divertindo com o Anti-Oscar. E esse ano com um adicional, torcendo muito para a coroação de Fim dos Tempos, desde já meu favorito!! Confesso que não assisti à nenhum dos outros indicados, mas não tem possibilidade nenhuma de serem piores que Fim dos Tempos!! Dá-lhe Shyamalan!! Rumo ao Limbo!!

PS: copiei a lista do Omelete, portanto as traduções das brincadeiras são deles!!





Pior filme


  • Super-Heróis - A Liga da Injustiça e Espartalhões (Dois filmes - um único conceito de chutar cachorro morto)
  • Fim dos Tempos
  • A Gostosa e a Gosmenta
  • Em Nome do Rei
  • O Guru do Amor

Pior diretor

  • Uwe Boll - Postal, Em Nome do Rei e 1968: Tunnel Rats
  • Jason Friedberg & Aaron Seltzer – Super-Heróis - A Liga da Injustiça e Espartalhões
  • Tom Putnam – A Gostosa e a Gosmenta
  • Marco Schnabel – O Guru do Amor
  • M. Night Shyamalan – Fim dos Tempos

Pior roteiro

  • Super-Heróis - A Liga da Injustiça e Espartalhões
  • Fim dos Tempos
  • A Gostosa e a Gosmenta
  • Em Nome do Rei
  • O Guru do Amor
Pior ator

  • Larry the Cable Guy – Witless Protection
  • Eddie Murphy – O Grande Dave
  • Mike Myers – O Guru do Amor
  • Al Pacino – 88 Minutos e As Duas Faces da Lei
  • Mark Wahlberg – Max Payne e Fim dos Tempos

Pior atriz

  • Jessica Alba – O Olho do Mal e O Guru do Amor
  • Todo o elenco de Mulheres... O Sexo Forte - Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith Meg Ryan
  • Cameron Diaz – Jogo de Amor em Las Vegas
  • Paris Hilton – A Gostosa e a Gosmenta
  • Kate Hudson – Um Amor de Tesouro e Amigos, Amigos, Mulheres à Parte

Pior ator coadjuvante

  • Uwe Boll (como ele mesmo) – Postal
  • Pierce Brosnan – Mamma Mia
  • Ben Kingsley – O Guru do Amor, Guerra, S.A., Faturando Alto (War Inc.) e Doidão (The Wackness)
  • Burt Reynolds – Em Nome do Rei e Deal
  • Verne Troyer – O Guru do Amor e Postal
Pior atriz coadjuvante

  • Carmen Electra - Super-Heróis - A Liga da Injustiça e Espartalhões
  • Paris Hilton – Repo! The Genetic Opera
  • Kim Kardashian – Super-Heróis - A Liga da Injustiça
  • Jenny McCarthy – Witless Protection
  • Leelee Sobieski – 88 Minutos e Em Nome do Rei

Pior dupla em cena

  • Uwe Boll e QUALQUER ator, câmera ou roteiro
  • Cameron Diaz e Ashton Kutcher – Jogo de Amor em Las Vegas
  • Paris Hilton e Christine Lakin ou Joel David Moore – A Gostosa e a Gosmenta
  • Larry the Cable Guy e Jenny McCarthy – Witless Protection
  • Eddie Murphy dentro do Eddie Murphy – O Grande Dave
Pior prólogo, remake, sequência ou cópia

  • O Dia em Que a Terra se Estourou Pra Valer
  • Super-Heróis - A Liga da Injustiça
  • Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
  • Speed Racer
  • Star Wars – The Clone Wars
Prêmio pela PIOR carreira
  • Uwe Boll – a resposta da Alemanha ao Ed Wood

terça-feira, janeiro 20, 2009

Polêmica (?) Televisiva (ou Futebolística): Sócrates ou Raí?



Estava assistindo ao Globo Esporte hoje e passou uma reportagem com a "polêmica" : Quem foi melhor, Raí ou Sócraes. Desacreditei. Onde tem polêmica? Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento de futebol sabe que Sócrates não foi só melhor, foi absurdamente melhor. Até o Raí sabe disso!

Todo mundo sabe que sou corintiano, mas não quero que isso faça alguém pensar que estou sendo parcial, sei reconhecer quando um jogador de um time adversário é melhor: Pelé foi melhor que Rivellino, Rogério Ceni é melhor que Felipe... e por aí vai...

Raí efetivamente ganhou mais títulos, mundial de clubes, libertadores, copa do mundo, mas Sócrates tinha muito mais qualidade, jogava solto, vistoso, dava os passes mais açucarados que já vi, colocava a bola por espaços onde nunca vi outro jogador colocar... Se fossemos considerar por nº de títulos o Raí seria melhor que o Maradonna, mas todo mundo que tem um pouco de noção sabe que não é isso que sobra pra posteridade.

Se comparamos a passagem dos dois pela Seleção, a do Raí foi vitoriosa, em 94 no tetra, mas não vistosa, pois a verdade é que só Romário jogou naquele time (e como jogou!). A de Sócrates foi trágica, em 82 e 86, mas o time de 82, mesmo derrotado entra com facilidade na lista de 3 melhores seleções brasileiras de todos os tempos e na verdade, fora o Brasil de 70, o Brasil de 58, a Holanda de 74 e a Hungria de 54 (os dois últimos também não ganharam a copa) nunca houve um time comparável, com aquele meio de campo que jogava por música, com Sócrates, Zico e Falcão. Não a toa, a derrota da seleção de 82 pra Itália é considerada por muita gente como a morte do futebol arte e a vitória dessa porcaria de futebol de resultados que vemos hoje por aí. E como disse num de meus textos no Quatro Patacas (leia aqui se quiser), somente Zidane, Ronaldo e Romário furaram esse "bloqueio" de mediocridade com constância suficiente pra escrever a fundo sua marca na história do futebol.

A minha constatação final é de que Sócrates foi melhor que Raí, mas ver antigos vídeos de qualquer um dos dois é um colírio para os olhos em tempos de Cristiano Ronaldo como melhor do mundo (faz-me-rir)!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Novas Cotações e Avisos aos (Eventuais)Leitores

Bom... quem lê o blog deve ter percebido que mudei as imagens das cotações atribuidas nas resenhas. Continuam sendo sabres de luz, mas agora são mais bonitinhos!! E além disso inventei uma cotação nova, que é essa com todos os sabres de luz apagados, que servem só pra dar nota pra coisa (filmes, HQs, discos...) que forem um atentado contra a inteligência humana (ou alienígina... tanto faz). O primeiro "felizardo" a receber essa "honraria" foi a bomba Fim dos Tempos do outrora bom diretor M Night Shyamalan, que é tão ruim que ofende... e espero realmente que leve todas as categorias possíveis no Framboesa de Ouro (e se der, até alguns "prêmios" extras)...

Pra quem não sabe, as cotações e suas devidas explicações (não sabe o que é o especial de Natal de Star-Wars [bom pra você, porque é horrível] entra nesse link do Omelete e descubra [ou não]) estão aí do lado direito da tela...

Bom começo de ano pra todo mundo, e continuem acompanhando o Han Atirou Primeiro e, se puderem e quiserem, comentem os posts.


PS: O meu outro blog, o Quatro Patacas, que é um blog literário, passou por algumas mudanças: pra começar agora o endereço é .com.br (www.quatropatacas.com.br), o layout mudou (e ficou muito bom, parabéns novamente pro Thiago, do O que Dr. House Diria, que fez o layout novo [e também o layout do Han]). E nosso querido Pataca Vinício dos Santos, do blog O Jardim dos Gatos Teimosos, parou de escrever no blog, ainda que continue nas apresentações de humor que fazemos por aí (quer ver? entre em Produções Quatro Patacas ou no nosso canal no Youtube), portanto agora somos só três escrevendo no Patacas (Eu, Thiago e o Leandro Durazzo do blog Mísera Mesa) e os textos agora são postados de Segunda (Thiago), Quarta (Leandro) e Sexta (Arthur [eu!]). Confiram que vale a pena!

PS2: Juro que tive vontade de dar essa cotação aí embaixo para o Mamma Mia, pelo seu visual, digamos, alegre!

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Frase do Dia - Nelson Rodrigues

"Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação."

Isso é tão verdadeiro que dói... Nelson Rodrigues foi um de nossos maiores gênios...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Melhores e Piores filmes de 2008

Continuando a minha fixação por listas, agora a dos 10 melhores filmes de 2008, dentre os que eu vi, que fique bem claro... entram na lista somente filmes que estrearam nos cinemas no Brasil em 2008. Logo após essa uma dos 5 piores filmes de 2008 (não conseguiria comentar 10 deles...), o critério é o mesmo, ter estreado nos cinemas brasucas em 2008.

Os 10 Melhores Filmes de 2008

10ª Posição – Mamma Mia
Dirigido por Phyllida Lloyd

Essa comédia musical alucinada, sem história, vergonhosa, que aproveita cada sucesso possível do ABBA (e são muitos) para incluir um número musical exagerado, cheio de purpurina e sem sentido na trama é na verdade a melhor comédia do ano. Divertidíssimo, não se leva a sério em momento algum e as vezes pegamos alguns atores, como Pierce Brosnan por exemplo, rindo em suas cenas musicais. Além de tudo (mais) uma fenomenal atuação de Meryl Streep, que com toda certeza será indicada ao Oscar de melhor atriz.
Cotação:

9ª Posição – A Encarnação do Demônio
Dirigido por José Mojica Marins

Depois de mais de 40 anos de molho, finalmente Mojica termina a sua trilogia com Zé do Caixão. Infelizmente esse filme não é fenomenal como os dois primeiros, e A Meia Noite Levarei Sua AlmaEsta Noite Encarnarei No Seu Cadáver, mas termina de maneira digna a trilogia. Fora as comparações com as obras primas anteriores de Mojica, o filme é ótimo, mil vezes melhor que qualquer terror desses que são lançados a toda hora como o filme mais assustador do ano. E pra concluir: Jigsaw e afins são moças perto do Zé do Caixão.
Cotação:

8ª Posição – Ensaio Sobre a Cegueira
Dirigido por Fernando Meirelles


Esse é o filme nacional melhor posicionado na lista, mas confesso que não vi muitos filmes nacionais esse ano... Apesar de várias críticas que a película recebeu, achei que Meirelles transpôs com rara competência o livro de Saramago, utilizando-se de uma inteligentíssima sacada, a luz branca que estoura a tela o tempo todo e que transmite ao expectador a sensação de cegueira das personagens. O ótimo elenco ajuda muito também.
Cotação:

7ª Posição – Homem de Ferro
Dirigido por Jon Favreau


Essa é com certeza uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas e a direção segura de Jon Favreau contribuiu muito para isso, mas as verdadeiras estrelas são o roteiro, que teve coragem de focar em Tony Stark e não em seu alter-ego, o Homem de Ferro, e Robert Downey Junior, espetacular no papel de Tony Stark. O ponto fraco é a batalha final que deixa a desejar.
Cotação:

6ª Posição – Os Indomáveis
Dirigido por
James Mangold


De tempos em tempos alguns ótimos Westerns são lançados no cinema, o que serve ao menos para alentar o coração dos fãs de carteirinha desse glorioso gênero (como eu). Esse Os Indomáveis é um belo exemplar, tenso e focado na personalidade das personagens principais, como tendem a ser os melhores westerns. As atuações de Russell Crowe e principalmente de Christian Bale elevam ainda mais o nível desse filme maravilhoso.
Cotação:

5ª Posição – Desejo e Reparação
Dirigido por
Joe Wright
Esse ano li a obra prima de Ian McEwan, Reparação, que deu origem a esse filme, por isso me sinto competente para analisar esse filme. As comparações com o livro, que considero o melhor romance da década, são inevitáveis, mas me alegro em dizer que o diretor Joe Wright, o mesmo do ótimo Orgulho e Preconceito, conseguiu fazer um filme maravilhoso, dirigido com vigor (vide a cena feita sem cortes na praia, no segundo segmento do filme), consegue passar muito bem as sensações do livro para o espectador do cinema. O elenco é todo ótimo, mas o destaque fica para Saoirse Ronan a menina que faz Briony na infância, que venceu com competência o desafio de encarnar uma das personagens mais complexas da literatura contemporânea. O único ponto negativo é o péssimo título brasileiro, o filme chama-se Atonement, ou seja, Reparação, assim como o livro, esse desejo passa uma idéia errada do significado do filme, que é daqueles que destroem as emoções do espectador, vale dizer que eu não saia tão mal assim do cinema desde Sobre Meninos e Lobos.
Cotação:

4ª Posição – Senhores do Crime
Dirigido por
David Cronenberg
A parceria de Cronenberg e Viggo Mortensen vem se mostrando cada vez mais compensadora. Depois do fenomenal Marcas da Violência, eles nos entregam essa obra prima, que versa com delicadeza sobre a brutalidade da Máfia Russa. Um filme de encher os olhos e a atuação de Mortensen é tão brilhante que fiquei me perguntando, depois de assistir ao filme, como umaator desse nível demorou tanto para mostrar todo o seu talento.
Cotação:

3ª Posição – Wall-E
Dirigido por Andrew Stanton
Não é nada impressionante a presença da Pixar na lista de melhores do ano, e o fato de não estar em primeiro lugar mostra a qualidade dos filmes lançados em 2008. Wall-E é uma obra-prima, absolutamente brilhante, um misto de Chaplin com 2001, que deu muito, muito certo, e até a parte final, com a mensagem ecológica, que recebeu algumas críticas, é ótima e muito bem realizada. Na minha opinião o segundo melhor filme que a Pixar já lançou, perdendo apenas pra Ratatouille (que afinal é um misto de Fellini e Nouvelle Vague difícil de se superar).
Cotação:

2ª Posição – Onde os Fracos Não Tem Vez
Dirigido por Joel e Ethan Coen

Quando vi esse filme a primeira vez, no cinema, fiquei tão impressionado quando a projeção acabou que tive que ir ver outra vez para constatar se tinha entendido mesmo o que achava que tinha entendido. Na segunda vez que vi fiquei ainda mais pasmo, pois o filme imediatamente se configurou como uma daquelas obras-primas que dificilmente saem da cabeça. Tudo é brilhante, neste que é o melhor filme do irmãos Coen desde Fargo. As atuações estão espetaculares, principalmente o trio principal, Josh Brolin que faz Llewelyn Moss, Javier Barden, o Anton Chigurh, um dos psicopatas mais impressionantes que já vi no cinema e Tommy Lee Jones, o xerife, brilhante de tal maneira que cabe a ele o maravilhoso final do filme. O único ponto fraco é o título brasileiro, Onde os Fracos Não Tem Vez, que simplesmente tira o significado básico do filme, de um novo mundo, onde o novo substitui o velho, Onde os Velhos Não Tem Vez caberia bem melhor.
Cotação:

1ª Posição – Batman – O Cavaleiro das Trevas
Dirigido por Christopher Nolan
E finalmente o filme do ano. Confesso que esperava muito ansiosamente esse Batman, mas mesmo a fenomenal expectativa, aliada à impressionante campanha de marketing poderia me preparar para ver o que vi. O melhor filme baseado em quadrinhos já feito, pelo simples fato de não se limitar a ser apenas um filme baseado em quadrinhos. É na verdade o melhor Thriller policial desde a obra-prima Los Angeles: Cidade Proibida. A direção impecável de Nolan, transformam o também impecável roteiro em uma das mais impressionantes experiências cinematográficas de todos os tempos. O elenco é brilhante, passando por Michael Caine, Morgan Freeman, Gary Oldman e culminando no trio de protagonistas, Christian Bale, muito mais seguro no papel do que em Batman Begins, Aaron Eckheart, brilhante como Harvey Dent e, claro, Heath Ledger, que apresenta, sem nenhum exagero, a melhor atuação da década no cinema. Não é que o Coringa feito por ele é o melhor já feito no cinema, é que o Coringa de Ledger é o melhor Coringa em qualquer mídia, incluindo os quadrinhos. O filme do ano, talvez seja o filme da década.
Cotação:

Agora pra fechar com chave de ouro, a lista do dinheiro mais mal gasto esse ano, só a rapa do tacho:

Os 5 Piores Filmes de 2008

5ª Posição – Missão BabilôniaDirigido (?) por Mathieu Kassovitz
O que esperar de um filme com Vin Diesel. Que seja ruim, é claro, mas esse conexão Babilônia é de lascar. O filme não tem nexo, a ação é mal feita, a história é ultra-confusa, as atuações são um lixo e pra piorar o filme é uma propaganda ambulante de Coca-Cola Zero. Porra, Coca-Cola Zero!?! Se é pra fazer merchandising que pelo menos seja da Coca-Cola normal...
Cotação:

4ª Posição – Hancock
Dirigido (?) por Peter Berg

O que mais me irrita em Hancock é que o filme poderia ser bom, caso se limitasse a focar a figura de Hancock, um super-herói bêbado e desajustado. À partir da segunda parte, quando ele se regenera e a terceira parte, quando o roteiro enlouquece de vez, o filme fica tão ruim que eu não via a hora de sair do cinema. Péssimo.
Cotação:

3ª Posição – O Procurado
Dirigido (?) por Timur Bekmambetov

Se esse ano tivemos ótimas adaptações de quadrinhos (Batman - O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro), também tivemos essa porcaria. Baseado em uma HQ do competente Mark Millar, que confesso que não li, o filme é uma péssima desculpa para horrorosas cenas de perseguição de carro (Assistam Operação França pelo amor de Deus!) e cenas de tiroteio ainda piores. E a história? Ahn? Tinha isso?
Cotação:

2ª Posição – Speed Racer
Dirigido (?) por Irmãos Wachowski

Os irmão Wachowski perderam a mão feio e não é de hoje. Claro que esse Speed Racer não é tão ruim quanto Matrix Revolution, mas mesmo assim é uma ofensa tanto aos fãs de cinema, quanto aos fãs do maravilhoso desenho animado que inspirou essa joça, entre os quais me incluo. E quando eu pensei que pelo menos esse horror serviria pra lançarem um box do anime, eis que lançam o box com os episódios re-dublados... e ninguém vai preso! Realmente um péssimo ano para os fãs de Speed Racer.
Cotação:

1ª Posição – Fim dos Tempos
Dirigido (?) por
M. Night Shyamalan

Em um ano normal a abominação do Speed Racer seria o pior filme do ano, mas esse não foi um ano normal, afinal um negro foi eleito presidente dos Estados Unidos , o time invencível de Bernardinho foi atropelado nas Olimpíadas, o Brasil foi pouco afetado por uma crise econômica mundial, A Dercy morreu... Se Batman – O Cavaleiro das Trevas talvez seja o filme da década, esse Fim dos Tempos do Shyamalan é sem dúvida o pior filme da década, o diretor (?) comete todos os erros, desde péssima escolha de elenco, até o pior uso de camera lenta da história do cinema. Eu gosto muito de O Sexto Sentido e de Sinais, considero Corpo Fechado uma obra-prima, e acho A Vila passável, A Dama da Água é constrangedor de ruim, mas Fim dos Tempos passa todos os limites, é uma ofensa com qualquer ser pensante, é um lixo absoluto, é tão completamente ruim que não tenho cotação para dar pra ele, por isso inventei uma nova cotação, especialmente para porcarias ruins que nem Fim dos Tempos.
Cotação:

terça-feira, janeiro 06, 2009

Jesus e Javé: Os Nomes Divinos – Harold Bloom



Incomoda-me muito profundamente que os livros sobre religião, até os que tem como base a teoria literária, não se mostram desapegados das crenças pessoais de seus autores. Esse Jesus e Javé do crítico estadunidense Harold Bloom padece do mesmo mal. Por ser judeu Bloom dá preferência consante a Javé e as crenças judaicas e por vezes chega a nomear as crenças cristãs como usurpadoras da Tanak e do Javé hebreus. Claro que a maioria dos livros dos teóricos cristãos comete a mesma injustiça relegando o judaísmo à figura de religião ultrapassada. Um exemplo da clara preferência de Bloom:
“(...) lembro-me que o livro de Daniel é bastante diferente nos contextos do Testamento cristão e da Tanak. Para os cristãos, Daniel é um dos grandes profetas, comparável a Isaías, Jeremias e Ezequiel, o que constitui um exagero absurdo. Para os judeus, Daniel não é sequer um poeta menor, sendo situado nos Kethuvium, ou Escritos, entre Ester e Ezra.”

O grifo é meu e demonstra a clara predileção de Bloom pela Tanak sem ter sempre argumentos tão claros, como é o caso aqui, em que nenhum argumento para que o fato de Daniel ser um grande profeta seja “absurdo”.

Fora essa predileção que permeia toda a obra, o que sobra é um estudo de fôlego sobre as diferenças e semelhanças entre as figuras de Javé, o deus hebreu e Jesus, o messias do novo testamento cristão. A teoria defendida por Bloom sobre a inadequação entre as duas religiões faz certo sentido e ele as defende com argumentos fortes, ainda que extremos, como:

“O diálogo entre cristãos e judeus não é sequer mito – no mais das vezes, trata-se de farsa.” “Se Jesus Cristo, Deus verdadeiro e homem verdadeiro está absolutamente distante de Javé (...), isso ocorre porque formulações teológicas gregas e memórias da experiência hebraica são simplesmente antitéticas.”

No desenvolver do livro Bloom ainda nos surpreende com constatações incrivelmente lúcidas, como: “Para a maioria dos ocidentais, ou Deus é algo pessoal ou então algo que não faz a menor diferença.” Presente em um curto e belo trecho onde discorre sobre como cada fiel de cada religião ocidental (no caso judaísmo, cristianismo e islamismo) enxerga e se dirige a “seu” deus. Conclui:
“Para todas essas pessoas, Deus precisa compreender, e até mesmo compartilhar, muitos sentimentos humanos, ou seria reduzido à irrelevância.”

Outro grande momento do livro é uma constatação de Bloom sobre as pretensões literárias de Javé:

“A Tanak não nos oferece o relato da origem de Javé. Não tem pai nem mão, e parece rolar das páginas de um livro talvez escrito por ele próprio. É possível que ele tenha escrito antes de falar, e que tivesse de formar um público que o lesse e ouvisse. Se for esse o motivo escuso que o levou a arriscar a criação, Javé difere apenas em grau, não em espécie, de qualquer autor que conheço.”

Tão polêmica quanto essa afirmação é a idéia do auto-exílio de Javé, que cabe dizer não é de Bloom, mas ele emprega bastante no livro. A idéia geral seria de que Javé ao criar o mundo, habitado por humanos, que constituiria “uma realidade que dele se encontra divorciada”, escolhe o auto-exílio. É uma idéia por demais forte e polêmica, assim como brilhante.

Como dito, Bloom apresenta nessa obra a mesma postura extrema que vem adotando nos últimos anos, com obras como O Livro de J, Gênio, O Cânone Ocidental entre outras. Se por um lado ele não demonstra tanta força e brilhantismo como na Tetralogia da Influência, mesmo assim o livro merece ser lido nem que seja pela força inerente às grandes polêmicas que Bloom vem suscitando.

PS: Aconselho ao leitor que se sentir interessado pelas idéias de Bloom que leia a Tetralogia da Inflência, que está sendo republicada no Brasil em nova tradução (não sei se inferior ou superior à tradução anterior) e seus (também polêmicos) estudos sobre Shakespeare, nos livros Shakespeare: A Invenção do Humano e Hamlet: Poema Ilimitado.