sexta-feira, março 06, 2009

Esperando Watchmen



Bom... quem me conhece, e até quem não me conhece, sabe que estou absolutamente cético com o filme de Watchmen, desde que o Snyder anunciou que ia mudar o final. Na minha opinião quaisquer preocupações que ele tivesse em manter a densidade da obra se perderam com essa decisão, guardada as devidas proporções, seria como alguém adaptar o Rei Lear e mudar o final por achar inadequado ao cinema, acabando com toda a estrutura da dor criada por Shakespeare para Edgar no fim da peça. No caso de Watchmen, o final original (que não contarei aqui, apesar de concordar que não é spoiler por se tratar de uma obra com 20 anos de idade) é decorrencia de toda um fio narrativo intrincado, apoiado sobre o imenso detalhismo gráfico dos desenhos de Gibbons, que culmina no final, que muito mais que ideológico, é o fecho de uma obra-prima estética, por isso se Snyder quisesse mudar o final de Watchmen, deveria mudar toda a obra.

Vi várias críticas do filme e a maioria se equivoca em um ponto teórico crucial, caso da crítica do Omelete por exemplo, achar que o novo final e todas as adaptações feitas por Snyder mantém as idéias propostas por Moore, fazendo, assim como a HQ original, o espectador pensar sobre essas idéias. No entanto, a grande força de Watchmen e o motivo de ser uma obra-prima absoluta reside muito mais no rigor estético de Moore e Gibbons, assim como ocorre em qualaquer obra-prima literária, usando como exemplo o próprio Rei Lear de Shakespeare a força das idéias e das reflexões se apóiam totalmente na absoluta perfeição estética de seus versos e de sua prosa, em Watchmen ocorre a mesma coisa, as idéias propostas por Moore, que abordam profundamente a sociedade, o poder e sua corrupção e o ser humano em si, só se mostram tão fortes e permanentes por se apoiarem completamente no rigor do texto de Moore e na concepção estética que Moore e Gibbons deram à obra, quadro a quadro, diálogo a diálogo, assim sendo o final mudado é como um pé quebrado literário, seria como modificar um verso de Rei Lear. Qualquer ator de teatro com o mínimo de noção, sabe que não se improvisa em Shakespeare, por se estar trabalhando com uma obra fechada e com um texto perfeito, posto isso, de novo guadadas as devidas proporções, não se improvisa em Watchmen, não é sensato.

Amanhã provavelmente assistirei ao filme e irei sim com pedras na mão, por que me guardo ao direito de julgar o filme com o rigor de qualidade que espero em se tratando de Watchmen. O mais rápido possível postarei a crítica.

Até mais ver.


UPDATE: De todas as críticas que li, a mais sensata foi essa publicada no site da Herói: link. Acho que vale a pena comparar com a do Omelete, na minha opinião, equivocada na abordagem: link2. E pra concluir as críticas do MdM que são sempre interessantes e engraçadas: link3, link 4, link 5 e link 6.

4 comentários:

Vinício dos Santos disse...

eu naum espero muito coisa desse watchmen, porque tem cara de filme com efeito especial demais

agora, existe uma bomba pior pra estrear no cinema: the spirit! akele trailer me dá nojo!!

Arthur Malaspina disse...

Como eu disse para o Thiago, a não ser que o Shyamalan resolva fazer um filme, o título de bomba do ano fica entre Spirit e Dragon Ball Evolution..

Vinício dos Santos disse...

o shyamalan vai estragar o avatar ano que vem!

Arthur Malaspina disse...

Não duvido nada...