quinta-feira, setembro 30, 2010

Post comemorativo: Dia do Tradutor




Não sei se algum de vocês sabem, mas hoje é o Dia do Tradutor. Bacana né? Não? Claro que é, afinal o que seria das nossas vidas sem os tradutores.

Pensem no seu dia-a-dia, todos os produtos culturais estrangeiros que vocês consomem (e convenhamos, são muitos) passam pelas mãos de tradutores, sejam eles legenders amadores da internet, ou profissionais que traduzem livros, temos diversos tipos de tradutores.

Vocês devem saber, ou não, mas já publiquei algumas traduções minhas de poemas aqui, em tempos imemoriais e para 'comemorar' esse dia, vou publicar algumas coisinhas.

Pra começar, o comecinho de Paradise Lost de John Milton, que traduzi com meu amigo Leandro Durazzo especialmente para esse post:


Of Mans First Disobedience, and the Fruit
Of that Forbidden Tree, whose mortal tast
Brought Death into the World, and all our woe,
With loss of Eden, till one greater Man
Restore us, and regain the blissful Seat,
Sing Heav'nly Muse,||




Da primeira transgressão humana, e
Do letal sabor do fruto proibido,
Veio ao mundo a Morte e toda aflição
Pelo Éden perdido, até que o Maior
dos homens nos redima e recupere
o Trono abençoado, canta a Musa
Celestial,||



Continuando, uma tradução da Dream Song 30 de John Berryman, também feita pelo Leandro Durazzo.

Dream Song 30

Collating bones: I would have liked to do.
Henry would have been hot at that.
I missed his profession.
As a little boy I always thought
'I'm an archeologist'; who
could be more respected peaceful serious than that?

Hell talkt my brain awake.
Bluffed to the ends of me pain
& I took up a pencil;
like this I'm longing with. One sign
would snow me back, back.
is there anyone in the audience who has lived in vain?

A Chinese tooth! African jaw!
Drool, says a nervous system,
for a joyous replacing. Heat burns off dew.
Between the Ices (Mindel-Würm)
in a world I ever saw
some of my drying people indexed: "Warm."

Canção do Sonho 30

Juntar ossos: eu teria gostado.
Henry teria sido bem bom nisso.
Esqueci sua profissão.
Como um garotinho eu sempre penso
"Sou um arqueólogo"; quem
seria mais pacífico e respeitado que isso?

Inferno fala pro meu cérebro acordar.
Iludido até os fins de minha dor
levo a mão ao lápis;
assim estou com saudade. Um sinal
nevaria a mim de volta, de volta.
Há alguém na plateia que viveu em vão?

Um dente chinês! Mandíbula africana!
Baba, diz um sistema nervoso,
pra uma feliz substituição. Calor que evapora orvalho.
Entre as geleiras (períodos glaciais)
num mundo que sempre vi
alguns do meu povo árido classificados: "quentes."



E para fechar essa 'comemoração', um poema que já publiquei aqui (sim sim, em tempos IMEMORIAIS), mas que acho uma boa tradução, a Carmina II de Catulo. A tradução é minha.


II

Passer, deliciae meae puellae,
quicum ludere, quem in sinu tenere,
cui primum digitum dare appetenti
et acres solet incitare morsus
cum desiderio meo nitenti
carum nescioquid libet iocari,
credo, ut, cum gravis acquiescet ardor,
sit solaciolum sui doloris:
tecum ludere, sicut ipsa, posse
et tristes animi levare curas.


II

Pardal, que és o prazer de minha amada,
com quem brinca e entre as mãos ela segura,
para que dê o dedo as tuas volúpias,
e te incite as bicadas pontiagudas.
Quando a minha vontade reluzir -
a ela, que com prazer, não sei, faz rir,
e eu creio que console a sua dor
e depois descanse esse imenso ardor.
- Se como ela eu puder brincar contigo,
minha triste alma encontrará abrigo.

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