terça-feira, outubro 30, 2012

Sobre a venda da Lucasfilm e novos episódios de Star Wars



Agora a pouco o mundo foi inundado com uma notícia bombástica, George Lucas vendeu a Lucasfilm para a Disney por 4,5 bilhões de doletas e - com isso - os direitos de Star Wars. Junto à notícia veio também o anúncio de um Episódio VII já pra 2015 e que o filme faria parte de uma nova trilogia.

Vamos por partes então. Primeiro, estou pouco me fodendo pro destino da Lucasfilm, o estúdio sempre foi meio ocioso e acho mesmo que a Disney pode fazê-lo mais ativo.

Colocando isso de lado e focando no que importa. Star Wars. Mais filmes de Star Wars... algumas verdades precisam ser ditas,

A trilogia nova é tão ruim que criou um mito que nerds de internet resolveram adotar para a vida, sem pensar muito, como afinal é o hábito normal deles. O de que George Lucas não sabe dirigir nem escrever e tudo o que ele toca em Star Wars fica uma droga. Isso simplesmente não é verdade. A trilogia clássica tem tanto dedo de Lucas como a nova e é excelente. O filme original, Guerra nas Estrelas é dirigido e roteirizado por Lucas e é uma obra-prima, inclusive figurando em várias listas de melhores filmes de todos os tempos. American Graffiti é também um excelente filme que se destaca - vejam só - pela sua direção. Então Lucas sabe sim dirigir, ou soube um dia pelo menos...

Beleza, agora falemos de algumas coisas que me intrigam sobre as pessoas. Vi muita gente comemorando que agora o Joss Whedon poderia dirigir Star Wars, como se ele fosse o Kubrick. Parem com isso, o Whedon é excelente e todo mundo adorou Vingadores, mas ele é apenas um bom diretor de filmes de ficção e ação, não a segunda vinda do Messias, não a reencarnação do John Ford. Ele não é a salvação de Star Wars, simplesmente porque Star Wars não precisa ser salvo. Ou talvez precise ser salvo apenas da ganância de executivos e PRINCIPALMENTE do problema mental acentuado da maioria dos fãs.

Acontece, amigos e amigas, que Star Wars precisa de um novo filme tanto quanto você precisa de um câncer no reto (e imagino que você não precise muito, ou estou enganado?) e precisa de uma nova trilogia tanto quanto o mundo precisa de uma guerra nuclear. Pensem comigo (vocês conseguem pensar, acredito, já que pelo menos são alfabetizados, caso contrário não estariam conseguindo ler esse texto), algum dia Star Wars precisou de uma nova trilogia? A resposta é não. A nova trilogia foi uma grande defecada que só foi possível porque fãs simplesmente são completamente idiotas e não conseguem se controlar em sua imbecilidade pujante (me incluo aqui).

Tá, dá pra relevar, afinal na época esperávamos que pudessem ser bons filmes, do nível dos antigos. Sim, dava pra relevar, mas nunca foi necessário, os filmes sempre se completaram e NUNCA foi necessário outra trilogia. Esqueçam que a trilogia nova é pior que o caráter do José Serra, mesmo que fossem excelentes, nunca foram necessários.

O mesmo ocorre de novo. O mundo não precisa de novos filmes de Star Wars, pindarolas, o mundo não precisava nem dos 3 últimos! Acontece que agora há um agravante, o agravante da recorrência. Sério, já não caímos nesse mesmo erro? Então por que isso? Por que ficar animados como crianças com pirulitos? Sério, vocês são tão burros assim?

Tempos atrás escrevi um artigo nesse blog dizendo como a geração atual, a geração para a qual eu dou aula, é supérflua, burra e sem esperanças. De lá pra cá percebi que a maioria de nós, da nossa geração, não é nada melhor que isso. Somos tão imbecis e propensos a mulher de malandro quanto nossos sucessores. Sinceramente, qualquer um que queira realmente uma nova trilogia de Star Wars não recebeu limites na infância!

Não importa se Vingadores é da Disney (como li por aí, usado como "argumento"), não é a questão central. A questão central é que argumentos NOVOS precisam ser criados, ideias novas, não essa maldita reciclagem que mata o cinema. Curioso alias, que as mesmas pessoas que ficaram animadas com a notícia são as que volta e meia criticam a falta de originalidade e ousadia de Hollywood, são as mesmas que reclamam que Marvel e DC usam os mesmos personagens há 80 anos. Sejam coerentes um pouco pra variar!

Vou dizer pra vocês, eu até aceitaria que fizessem novos filmes de Star Wars, uma nova trilogia de Star Wars, mas com outros personagens, em outro tempo, com outras histórias. Deixem essa história descansar um tempo, muito tempo. Deixem a trilogia clássica ser... bem... clássica um pouco e criem novos argumentos.

PS: parem com esse lance de Vingadores, também adoro o filme, mas não é aceitável usá-lo de exemplo de grande filme do estúdio de Rei Leão, Branca de Neve e Toy Story 3! E parem com o Joss Whedon, ele é bom, mas só pode ser exemplo de grande diretor em um mundo a beira do colapso!

PS2: As mesmíssimas pessoas que estão elogiando novos filmes de Star Wars são as que mimimizaram in perpetuum quando a Disney comprou a Marvel...coerência MIL!

PS3: Alguém sabe se a Lucas Arts foi vendida também? [atualizado] a Lucas Arts foi sim vendida. Isso eu acho que foi uma boa. A produtora, que no seu auge fez alguns dos melhores games de todos os tempos, vinha só fazendo jogos de Star Wars. Espero que a Disney possa dar outros jogos pra ela fazer.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A urgência de Will Eisner



Quem me conhece há muito tempo sabe que sempre fui apaixonado por quadrinhos, desde pequeno minha mãe me lia histórias da Turma da Mônica e eu posso até dizer que aprendi a ler por essas histórias, o que já basta para definir os quadrinhos como parte essencial da minha personalidade e de quem sou. 

Todo mundo que tem a alma aberta para a nona arte tem seu hall de preferidos. Amo Alan Moore e Gaiman como todo mundo, assim como venero profundamete Otomo, Tezuka, Koike e Kojima, que abriram caminho pro que de melhor a narrativa oriental tinha pra nos oferecer. Cultuo com o mesmo fervor as obras de Goscini e Uderzo (e alguns outros grandes europeus, como Hergé e Bonelli) e talvez mais ainda a genialidade simplória das narrativas de Carl Barks e seus famosos patos. Sorrio abertamente me lembrando daquele Maurício de Souza do final dos anos 70, começo dos anos 80, que conseguia incutir um frescor infantil simplesmente genial às histórias curtas da Turma da Mônica (infantil mesmo, com tudo que uma criança tem de seu, tanto a graça, quanto a crueldade, esta limada das histórias da turminha nos últimos tempos), bem como me sinto impelido a chorar sempre que vejo o brilhantismo sem precedentes de Bill Waterson e sua investigação profunda do ser humano apenas utilizando um menino, um tigre e três quadrinhos. Posso citar aqui Laerte e Angeli, que são - na minha opinião - nossos maiores e melhores cartunistas, bem como Stan Lee criador das mais honestas HQs de super-heróis que o mundo já viu, tão simples quanto sempre deveriam ser.

Depois de mostrar tantos artistas que venero (e esquecer tantos outros), acho que posso dizer que Will Eisner é ainda superior a tudo isso, a todos estes, pelo simples motivo de que ele consegue ir o mais profundo possível na alma do leitor e na descoberta do que nos faz profundamente humanos. Ele consegue utilizar os quadrinhos para ilustrar tudo aquilo que vivemos e vemos e que tentamos esconder. Aquele ato falho, aquele fingimento, aquela dor, tudo isso está nas páginas de seus romances gráficos.

A primeira obra dele que li, já tardiamente, foi aquela que definiu os quadrinhos como obras de arte, Um Contrato com Deus, uma das obras mais humanas e mais devastadoras que já tive o prazer de ler. Após isso devorei rapidamente todo o resto de sua obra, talvez mais rápido do que elas mereçam. Pois elas merecem toda a atenção possível, elam precisam que o leitor interaja com elas.

Comecei esse texto sem nenhuma intenção, apenas a de divulgar da maneira limitada que me é possível o talento, a importância e a urgência de Eisner, porque ele não tem precedentes e nem concorrentes na nona arte. Ele não tem adversários na profundidade em que consegue agir. E eu diria que nem tem muitos iguais em quaisquer áreas da arte.

 Uma pequena amostra do quão profunda uma HQ pode ser

Eisner pede pra ser lido, para que todo o ranço que os quadrinhos se impuseram nos últimos anos se desfaça no ar, para que abram seus sentidos para uma verdadeira e profunda investigação humana.