sexta-feira, janeiro 18, 2013

Na cidade de onde vim


Na cidade de onde vim
não tem cinema.
Na infância os atores eram todos anões em 14 polegadas.
Suas falas eram todas dubladas.
Suas cenas fortes, cortadas.

Na cidade de onde vim
não tinha nada.
Era tão calma que a calma entrava na alma
e calma a vida passava
e calma ia embora
sem ter feito nada.

Na cidade de onde vim
eu tinha pessoas, amigos.
Choro ao pensar no que se tornaram.
Choro ao pensar no que me tornei.
Eles não são o que eu pensei ou eu não sou o que pensaram?

Na cidade de onde vim
mora a nostalgia.
Eu era feliz, tive momentos felizes ou só quero pensar assim?

Eu era mais um na cidade de onde vim,
por que aqui seria tão diferente assim?

O dia que eu quebrar e desistir,
terá uma parada em minha homenagem
na cidade de onde vim.

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Fazia um bom tempo que não postava um texto próprio aqui, mesmo porque andei escrevendo para outros blogs coletivos ou não escrevendo nada.