terça-feira, abril 02, 2013

Monalisa




Entrei num café e a vi, como num instante paralisado, um frame de um filme que ficou para sempre na memória de minhas retinas. Foi um momento fugaz, durou apenas um par de segundos, ela, parada, virou seu lindo rosto para mim, dando um sorriso misterioso, qual uma imagem de Monalisa, cheio dos mais profundos significados.

Vestia um vestido florido, que a cercava como uma roda e dava a ela uma maravilhosa impressão de fragilidade. Esta impressão era logo contraposta por seu olhar oblíquo. Via toda uma vida naqueles olhos pequeninos. Todo um matiz de sentimentos e de intenções passava por aquele olhar. Mas era o sorriso, o sorriso que marcou para sempre a cena na minha cabeça.

Aquele sorriso deve ter sido profundamente misterioso para todos os que estavam a observando, deve ter despertado as mais variadas reações, as mais variadas ideias. Era um sorriso hermético, enviesado, que sumia dependendo do ângulo em que fosse visto.

Aquele sorriso compunha com seus olhos e seu vestido uma imagem profundamente sedutora e enigmática, que chacoalhou, como um relâmpago violento, todo o ar dentro do café. Não posso imaginar que houvesse ali algum homem que não reagisse ao impacto da sua presença.

Minha reação foi de estremecimento, seguido de um sorriso próprio. Acontece que diferentemente de todos que ali estavam, de todos que sonharam e divagaram sobre aquele sorriso, eu de fato sabia seu significado, afinal, fora endereçado à mim. Eu, diferente de todos os outros, sabia quais eram suas intenções e pensamentos e todos aqueles múltiplos significados se estreitaram em somente uma certeza.

Aquele sorriso me abalou, como abalou todos os que estavam naquele lugar, mas eu sabia o porquê e me deliciei com a situação, tendo ela como minha Monalisa particular e eu como seu Leonardo da Vinci, o autor da pintura e único conhecedor de seus mistérios.


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Há algum tempo atrás, como expliquei na apresentação que fiz ao seu primeiro poema, a Daniela me veio com algumas ideias de textos. A maioria delas ela mesmo escreveu e passou pelas minhas mãos apenas para que eu revisasse, mas uma dessas ideias, a que hoje apresento aqui, eu mesmo escrevi.

Ela me contou que havia pensado em uma pequena imagem, de um homem vendo uma mulher que sorria misteriosamente, mas com o diferencial de que ele sabia o motivo do sorriso, mas não as outras personagens e nem o leitor. Ela me pediu que eu escrevesse o conto e eu assim o fiz e posto aqui com a aprovação dela.

Hoje, dia 02 de Abril é aniversário dela e então resolvi postá-lo como um pequeno presente meu para ela. Espero que faça jus.



Um comentário:

Silvia disse...

Muito bonito, filho!!! Parabéns!