quarta-feira, maio 29, 2013

Felicidade




E quando percebi que a chuva vinha saí correndo à procura de um lugar para me esconder, foi quando ele segurou a minha mão e disse: "Você me confessou que acha linda a cena do filme Cantando na Chuva. Aproveite e faça sua cena, nossa cena! Aproveite a chuva, aprenda com ela! Dance! Cante! Não espere pelo sol escondida, aproveite para fazer o nosso momento!”. E foi assim que dancei pela primeira vez com ele e percebi que de todos os meus amores ele era o melhor, não por ser meu presente e sim por me ensinar a aproveitar toda a situação. Não espere o sol, pois ele esta lá e no momento certo ele vai brilhar só para você.


________________________________________________________

E novamente a Daniela Matono marcando presença no blog (e postando mais do que eu...). Espero que gostem deste bonito continho de amor. A Dani escreveu baseando-se na música Felicidade do Marcelo Jeneci, por isto o clipe com a música está na postagem.


quinta-feira, maio 23, 2013

Um jantar à luz de velas



Coloquei o óleo na panela, com um certo cuidado exagerado. Era a 1ª vez que ela viria em minha casa. Queria um jantar perfeito. Fritei os temperos com cuidado, alho e cebola, até dourar. Distribuí a carne na panela de maneira homogênea e tampei. Em separado fiz o molho, com tomates bem maduros, tomatinhos cereja, daqueles doces. Todo molho adocicado combina com carnes fortes. Pus a mesa. Dois pratos e jogo completo de talheres, todos distribuídos de maneira metódica. Guardanapos de linho branco, imaculados. Taças de cristal, bojudas. Coloquei a terrina com a carne e o molho borbulhante sobre um aparador de vidro e um suporte de prata, como os talheres. Ao centro da mesa um arranjo de flores rodeando o pequeno e sóbrio castiçal que proporcionava a única fonte de iluminação. Tirei o vinho da adega, um Merlot, apesar de saber que um Cabernet serviria mais apropriadamente. Não gosto de Cabernet. Abri o vinho e curvei a garrafa para que pudesse respirar. A campainha tocou. Servi o vinho em duas taças, agitando levemente para que o bouquet ficasse evidente. Segurei ambas as taças em uma mão e despindo-me do avental - sujo, como convém - fui calmamente abrir a porta. Parei. Respirei fundo o fôlego da ansiedade. A noite seria perfeita. Abri. Não era Verônica.

Verônica provavelmente já estava morta, devorada pelo bando de animais. Eu não tinha como saber, havia me desligado do mundo o dia todo para preparar a noite que ela merecia. Eu fui devorado também, em cima da mesa de jantar. Os bárbaros nem sequer tomaram o vinho, acho que sabiam que Merlot não combina nada com carne de caça.


_______________________________________________________

Essa semana volto com um texto meu mesmo (dando uma folga para a Daniela Matono). É um texto que já havia publicado em outro blog, mas que gosto muito então resolvi publicar aqui também.


terça-feira, maio 14, 2013

Bom dia





Ao abrir meus olhos eu vi uma bela cena: seus olhos fechados, belos, mesmo dormindo. Acordar e ter essa imagem já fez o meu dia começar bem. Não sei dizer quanto tempo fiquei admirando a sua face, só sei que poderia passar o dia e virar a noite apenas olhando, admirando. Todo seu corpo era para se admirar: suas curvas na camisola vermelha de cetim, levemente mostrando o contorno da suas coxas. Mas seus olhos... seus olhos mesmo fechados eram uma imagem perfeita. Quase perfeita, pois ao abri-los, olhando diretamente aos meus olhos, ela sorriu e me deu um bom dia. Essa sim foi a imagem perfeita! O começo do dia perfeito!

_______________________________________________________

E a Daniela Matono volta depois de duas semanas de ausência no blog com um continho (e tem mais textos dela por vir). Vocês podem reparar que dessa vez a foto que ilustra o texto é um retrato da própria autora.

quarta-feira, maio 08, 2013

O tempo


"When I do count the clock that tells the time"
Soneto XII William Shakespeare


Eu vejo o arrastar do tempo,
areias caem e caem,
e nada, nada acontece.

Eu sinto o passar das horas,
as coisas mudam mas não
mudam realmente, nunca.

Eu vivo o meu tempo agora,
não há nada a se viver
depois...

Pouca coisa há a se
viver, pequenos momentos
brev...

Acabaram, morreram
aqui....

Ah! O tempo esse calhorda!