quinta-feira, julho 25, 2013

Os Sonhos de Lúcia




Lúcia acordou e pensou que talvez fosse melhor voltar a dormir. Lúcia voltou a dormir, e sonhou e seus sonhos eram cantigas:
 
BERNARDO: Olá minha bela Lúcia.
 
LÚCIA: Olá querido Bernardo,
Que fazes aqui meu amado?
 
BERNARDO: Vim para curar minha angústia,
Não sabes que sofro sem ti?
 
LÚCIA: Ah, Bernardo querido,
Eu também tenho sofrido,
Desta imensa falta de ti.


E os dois amantes,
Em carícias constantes
Em um beijo se uniram.
E os olhos de Lúcia se abriram.

Lúcia acordou atordoada, com um sorriso no rosto. Que sonho estranhamente feliz! Há muito não tinha um amante, a felicidade arrefeceu... e pensou novamente, que talvez fosse melhor voltar a dormir. Lúcia voltou a dormir, e sonhou e seus sonhos eram cantigas:

E Bernardo desta vez não havia.
Onde ele estava Lúcia não sabia.
E por paisagem tinha um plano vazio
Onde os sonhos de Lúcia puseram um navio,
Um navio?! Sim, em meio a um mar bravio.
E se esse mar realmente existia,
Lúcia não sabia, ela apenas dormia,
Somente “os sonhos” de Lúcia sabiam.


Não houve um diálogo,
Somente um monólogo.
Lúcia para o mar,
Sua voz a cantar:
 
LÚCIA: Ó mar, quanto do teu sal são minhas lágrimas?
Talvez todo esse mar sejam minhas lágrimas.

Por onde andará Bernardo, diga-me ó mar.
Enquanto espero a resposta, ponho-me a chorar.


E as lágrimas encheram todo o vazio,
E Lúcia acordou sentindo um arrepio.

Chorou sentada na cama. Por onde andaria este seu amor perdido? Sorriu um pouco e pensou: “Como eu falo bonito dormindo.” E pensou que talvez fosse melhor voltar a dormir. O mundo tinha uma textura melhor em seus sonhos. Voltou a dormir, e sonhou e seus sonhos eram cantigas:(...)

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Havia escrito um poema inédito, mas consegui (com uma BELA ajuda do blogger) perder essa postagem. Resolvi mais uma vez resgatar um texto antigo, desta vez um poema narrativo (um trecho de algo maior que nunca concluí) publicado originalmente no Quatro Patacas. Espero que gostem.

PS: o quadro que ilustra a postagem é "O Beijo" do artista neo-impressionista Henry Marie Raymond de Toulouse Lautrec.

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