quinta-feira, agosto 22, 2013

As coisas que tenho



O que eu tenho?
Um peito ferido,
um coração aberto,
fagulhas que queimam,
uma falta de fôlego
que não me deixa prosseguir.

O que eu tenho?
uma dor aguda,
um sorriso inconstante,
uma corrente que arrasta,
um vazio profundo,
um nada.

O que eu tenho?
uma desesperança,
uma rosa despedaçada,
uma luz sibilante,
um breu sufocante,
uma falta de vida,
um portão que se fecha.

O que eu tenho?
uma fenda aberta,
uma fúria de imagens,
um monstro gigante,
um algo
que não é, não foi,
nunca será.

O que eu tenho?
um lance de escadas
que nunca termina,
um punho fechado
de encontro a face,
um arrastar de pés,
um arrastar de alma.

O que eu tenho?
uma dica incompleta,
uma trilha deserta,
uma falta de tudo,
um rato nos restos,
os restos sem nada,
só sobras.

O que eu tenho?
uma dor aguda,
uma espera infinita,
um porão escuro,
uma fresta num muro,
um lugar sem lei
e sem lógica,
dentro de mim.

O que eu tenho?
um tropeço na calçada,
uma corça correndo,
um coelho fugindo,
uma dúvida intensa,
uma pá e uma vassoura,
pra recolher meus pedaços.

O que eu tenho?
um pôr-do-Sol,
nenhum amanhã,
um peixe no anzol,
uma devastação,
uma cara no espelho,
uma tristeza no olhar.

O que eu tenho?
uma melancolia,
uma frustração,
um impedimento,
um muro gigante,
um murro na faca,
uma partida, afinal.

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Esta semana um poema (quase nunca tem né :P ) bem triste e pessimista, mas de que gosto muito. Espero que gostem também.

Não sei se viram no facebook, mas o Han está a procura de novos autores para escrever, na verdade, de autores novatos. A ideia é publicar textos de autores que nunca publicaram nada em blogs, ou mesmo que nunca escreveram nada. A Daniela mesmo, antes de começar a publicar seus textos aqui, nunca havia escrito e agora tomou gosto pela coisa. Caso se interessem, mandem um e-mail para hanatirouprimeiro@gmail.com 

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