quinta-feira, novembro 28, 2013

A filha da vizinha

Como já ficou tradicional por aqui, na última quinta-feira do mês publicamos um texto de um autor novo e o desta quinta é muito especial, no caso, minha mãe. Silvia Lúcia de Oliveira me criou sempre lendo pra mim e cultivou em mim um gosto pela literatura que moldou todo o meu futuro. De uns tempos pra cá ela resolveu voltar a escrever e um dos contos que ela criou é este abaixo, um interessante conto, com linguagem bem coloquial, bom-humor e um delicioso clima interiorano. Espero que gostem.





Não é querendo se valer da vida alheia, mas tem gente que é louco de pedra né? Onde já se viu uma pessoa que tendo uma neta bate nela com rabo de tatu? Isso é deboche, por certo! Educar é coisa delicada, que se faz “devagarinho”, pensando, se atendo aos detalhes. Mas não, o que se fez é partir prá ignorância e logo cedo já enche de bolacha a cidadã. Por causa desse jeitinho tosco de lidar com a realidade da menina, logo de cara, devia ter ganhado uma tarja na testa com BESTA escrito bem grande e, em seguida, excomungada de ser gente. Acontece malandro, que aqui, no subúrbio, a vida é outra, aqui nem bebezinho tem sorte. Escuta, não to generalizando, de maneira nenhuma, não quero apodrecer na cadeia não meu chapa, só to mesmo é no desabafo, a crítica, deixa ela lá para os repórteres. Bem, mas já que você insiste, vou te contar como tudo aconteceu: 

A menina sentia uns anseios, um tremor endoidecedor, coitada, sabe como é, menina na adolescência, nem entende muito da onda (e que onda meu camarada). Bonita ela não era não, mais do tipo Raimunda, entende (feia de cara...), mas era simpática, esforçada. Aí topou com o primeiro moleque agastado, sabe como é... O bicho é danado que nem sei o que. Pronto, foi o que bastou para o bicho pegar. O malandro arrastou a menina, muda, lá para o finalzinho do quintal e lascou-lhe um beijo dos grandes, apalpou e roçou como pode e marcou de novo para o dia seguinte porque a coitada tava desmaiando ali mesmo, pernas trêmulas, zonzeira, tudo que os tais de hormônios podem fazer com uma bicha. Aquilo virou um ritual que com o tempo foi se aperfeiçoando. Para a guria era muito sério, mas o menino, como qualquer outro, pulou fora já - já. Dali a pouco os meninos foram passando um a um e ela nem se apercebia da troca, tamanha era a carência, que muitos, inclusive a avó, chamou de sem-vergonhice. Quando a guria se apercebeu já estava na boca do povo e de ponta cabeça fugindo de si mesma, negando até a morte. Sabe que sempre tem uma filha da... que, sei lá, se é de inveja porque tem vontade reprimida ou de maldade mesmo ou até de burrice de não prever o pior, que chega e conta para a velha. Aí, sujou, a menina que sempre foi enjeitada, cobrada até do prato de comida que comia, foi colocada contra a parede e a pancadaria tomou forma. Não tinha defesa que desse jeito, levou cada pancada na orelha que ficou surda por dias e o rabo de tatu cortou bem as pernocas dela. Bom prá finalizar e encurtar a história, como a vida faz a gente se acostumar com tudo, a menina também se acostumou a apanhar, mas parar com a coisa, ah, isso não parou não senhor. Só sei te dizer meu chapa que a última surra resultou nisso aí que tu tá vendo e, olha, tira o chapéu que o caixão vai passar.  


Silvia Lúcia de Oliveira é advogada, escritora, professora, mãe de três (quatro se contar um passarinho) e completamente viciada em séries, coisa patológica mesmo.

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Lembrando sempre que podem mandar seus textos para serem publicados aqui no blog. O nosso e-mail é hanatirouprimeiro@gmail.com. É só mandar o texto, uma foto para ilustrá-lo, uma foto para o perfil e um pequeno resumo.

quinta-feira, novembro 21, 2013

Ascensão





I

-Cof, cof, cof.

Fez-se silêncio. Era o Sr. Garner quem tossira, e quando ele tossia, era porque queria atenção, e todos sempre davam atenção ao Sr. Garner.

-Não sei se concordo com isso – disse o poderoso gangster. -Como eu ainda mando aqui, acredito que quando eu não concordo com algo, minha opinião prevalece - continuou Garner. -E eu realmente não concordo com isso – concluiu com ar de triunfo.

Mal acabara de falar e uma espalhafatosa risada, foi ouvida. Ela vinha do fundo da sala. Vinha de John Mitchell, um novato.

-Do que esta rindo Sr. Mitchell – perguntou o velho gangster com desdém. -Não me lembro de ter dito nada de engraçado - continuou, com a raiva estampada na face.

Mitchell sorriu. -Mas disse velho, tudo o que você diz é engraçado.

Ninguém podia acreditar no que ouviam, como podia Mitchell um novato, contrariar Garner, o chefão?

-Desde quando você manda aqui Garner? Você nunca mandou em nada seu velho patético - concluiu Mitchell com prazer.

Garner estava roxo de raiva e via-se no seu rosto que ele finalmente havia perdido a sua famosa classe. -Cale a boca, seu moleque, você não sa...

Três estrondos ecoaram na sala, todos viram Garner cair e todos viram Mitchell guardar a arma no casaco e caminhar até Garner. Todos viram, mas ninguém acreditou.

Mitchell parou em frente Garner e o olhou nos olhos enquanto ele agonizava. Mitchell esperou Garner agonizar e morrer para sair pela porta lateral sorrindo e assoviando uma velha canção.

O silêncio dominava a sala. As pessoas que lá estavam haviam presenciado a queda de Garner e a ascensão de Mitchell. E alguns deles presenciariam também a sua queda. 

    
II

Os carros passavam em alta velocidade, pela marginal enquanto um estranho homem os observava de um posto de gasolina. O homem pagou o frentista, vestiu seu sobretudo preto, comprido demais para sua baixa estatura e saiu com seu carro, um velho corcel vermelho.

Quando o carro já havia se afastado um ou dois quilômetros, ele olhou para trás com um sorriso cínico nos lábios e acelerou o carro. Um minuto depois o posto de gasolina explodiu.

Dentro do carro tocava uma velha canção. “Knowing she's okay alone, and there's no messing. She's a lady.”

O homem sorriu e pensou, “curioso estar tocando isto. O Mitchie parece estar em todo lugar, aquele maldito!”


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Depois de uma semana sem postar, por conta de esquecimentos e do feriado, voltamos com uma antiga ideia minha de escrever uma história policial. Sempre adorei o gênero e escrevi esse trecho a mais de 10 anos, claro que revisei e mudei MUITAS coisas antes de postá-lo! a minha intenção é continuar a história aqui, talvez uma vez por mês, vejamos como se desenrola.

PS: A música de Tom Jones é pra dar o clima da história, além de ser sensacional.


quinta-feira, novembro 07, 2013

Top 5 JRPGs ou Procure um emulador IMEDIATAMENTE



Adoro videogames, sempre adorei, mas tenho um especial apreço por 2 tipos de jogos, plataformas (que ganharão uma lista logo logo) e JRPGs. Estes dois estilos formam a maior parte de tudo que jogo. Pensei em fazer um Top 10, mas resolvi fazer apenas 5 e falar bem detalhadamente de cada um deles. Vamos tirar alguns defuntos da sala antes: primeiramente, não acho que Zelda se encaixe na categoria, apesar de idolatrar a série, portanto, sem Zeldas. A minha ideia aqui é falar de jogos que sejam bem acessíveis a todos vocês, portanto privilegiei jogos que vocês podem facilmente encontrar roms e jogar em emuladores. Há apenas uma exceção na lista, mas é um jogo de PS2 e Wii, então é bem fácil de ter acesso. Vamos pro número 5.


5 - Final Fantasy Tatics Advance
Plataforma: Gameboy Advance
Equipe criativa: Yuichi Murasawa; Yasumi Matsuno
Trilha sonora: Hitoshi Sakimoto; Kaori Ohkoshi; Ayako Saso; Nobuo Uematsu




Começamos com um verdadeiro sugador de vidas! A série tatics, spin-off da série principal, começou no Playstation, mas me conquistou realmente na versão de GBA. A série tatics traz jogos totalmente focados no combate, existe uma história, ela é inclusive bem interessante, mas as batalhas são o verdadeiro brilho do jogo. Você anda com seus personagens algumas casas, como em um jogo de tabuleiro e os ataques deles têm alcances variados bem como possibilidades variáveis de acertar dependendo da proximidade do adversário, do terreno e do lado que o adversário está virado (é muito mais fácil acertar um adversário virado de costas). Cada batalha dura pelo menos uma hora e quando a gente vê o dia todo já foi embora. Vale muito a pena e emuladores de Gameboy Advance são facílimos de encontrar e rodam até em lata de goiabada. Existe uma continuação para DS, tão boa quanto que vale a pena conferir também.



4 - Okami
Plataformas: Playstation 2; Wii; Playstation 3
Equipe criativa: Hideki Kamiya; Atsushi Inaba; Hideki Kamiya
Trilha sonora: Masami Ueda; Hiroshi Yamaguchi; Hiroyuki Hamada; Rei Kondo; Akari Groves




Okami é o jogo que comentei que era mais recente, portanto, mais difícil de emular. No entanto, tem para tantas plataformas que é bem fácil de encontrar. É o mais diferente dos títulos aqui presentes. Não tem batalhas aleatórias e nem  golpes escolhidos em um menu, sendo necessário fazer os golpes com o analógico do PS2 ou com o Wiimote. Por isso mesmo acho a versão do Wii a melhor, já que a ideia de se pintar os poderes na tela fica muito mais interessante e fácil de se realizar.

A jogabilidade de Okami é excelente e inventiva, sua história é interessante e bonita, trabalhando de maneira criativa mitos japoneses. Mas o que se destaca aqui é a direção artística do jogo. Sério, Okami é o jogo mais deslumbrante que eu já vi na minha vida. Um cell shading espetacular, com paisagens etéreas sempre lembrando pinturas e desenhos tradicionais japoneses. O único ponto fraco do jogo é que ele é muito fácil, eu nunca morri em nenhuma parte do jogo. Mas a experiência é tão boa que realmente preciso recomendá-lo. Nesta lista é o título mais desconhecido, sendo uma pena que mais gente não tenha jogado.



3 - Pokemon Gold/Silver/Cristal
Plataforma: Gameboy Color; alem de um remake para DS com o nome de Heart Gold/Soul Silver.
Equipe criativa: Satoshi Tajiri; Takehiro Izushi; Takashi Kawaguchi; Tsunekazu Ishihara; Ken Sugimori; Toshinobu Matsumiya; Kenji Matsushima
Trilha sonora: Junichi Masuda; Go Ichinose




Não é surpresa pra ninguém que sou muito MUITO fã da série pokemon. Na minha opinião o melhor jogo da série é o X/Y, que acabou de ser lançado (podem ler uma pequena resenha minha desses jogos aqui), mas como a única maneira de jogar X/Y é tendo um 3DS (excelente investimento alias) não se encaixa na proposta de facilitar pra vocês jogarem. Então, antes de X/Y serem lançados, os melhores jogos da franquia eram o trio Gold/Silver/Cristal de gameboy color e eles são facílimos de se achar na internet, além de emuladores de gameboy rodarem em qualquer porcaria de computador. GSC trazem 251 pokemons (os monstrinhos da primeira e segunda geração) e é possível se explorar as regiões de Jotoh e Kanto, sendo os únicos da franquia toda em que é possível mudar de continente durante o jogo! Estes também são os primeiros jogos onde há a diferença entre dia e noite, com diferentes pokemons em cada período e diferenças também em algumas evoluções dependendo do período do dia (Eevee, por exemplo, só evolui para Espeon treinando de dia e só evolui para Umbreon treinando a noite). Foram os jogos que introduziram os tipos metálico e noturno, últimas mudanças na mecânica dos tipos antes de X/Y (que introduziram o tipo fada). Outra importante adição feita nesses títulos foi a possibilidade de cruzar pokemons, os sexos dos bichinhos foi adicionado aqui também. A história não é nada demais, como em qualquer jogo de pokemon, mas o jogo é realmente bom, muito viciante e se não o fizer ficar fã da franquia, nada mais fará!

Existe um remake feito para DS que tem tudo dos jogos originais e uma infinidade de adições. Se puderem joguem essas versões, mas emuladores e roms de DS são mais pesados e complicados de rodar.



2 - Final Fantasy VI
Plataformas: Super Nintendo; Playstation; Gameboy Advance; Wii; Playstation 3; 
Equipe criativa: Yoshinori Kitase; Hiroyuki Ito; Hironobu Sakaguchi; Hiroyuki Ito; Tetsuya Takahashi; Kazuko Shibuya; Hideo Minaba; Tetsuya Nomura
Trilha sonora: Nobuo Uematsu \o/




Claro que teria que ter uma adição da série clássica de Final Fantasy na lista. Não foi nada difícil de escolher, o VI é disparadamente o melhor de toda a saga. Tem gráficos que envelheceram bem (final de geração de Super Nintendo, com excelente uso do Mode 7); sistema de jogo bem interessante (possui as chatinhas batalhas randômicas, mas cada personagem tem modos diferentes de batalhar, o que torna as lutas muito divertidas); a melhor história de qualquer RPG eletrônico já feito e o melhor grupo de personagens de toda a série. Terra, Lock, Celes...nossa, cada um deles têm uma história de vida, um passado, um desenvolvimento brilhatemente conduzido. Mas a cereja do bolo é Kefka. Kefka é o MELHOR vilão da história dos games, sem exageros. Sephirot é uma moça chorona perto de Kefka. Não falarei nada para não dar spoilers, mas por favor, joguem esse jogo, fará bem para suas cabeças contaminadas por CODs e LOLs da vida!



1 - Chrono Trigger
Plataformas: Super Nintendo; Playstation; DS; Wii; Playstation 3; Android; iOS
Equipe criativa: Takashi Tokita; Yoshinori Kitase; Akihiko Matsui; Kazuhiko Aoki; Hironobu Sakaguchi; Akira Toriyama; Masato Kato; Takashi Tokita; Yoshinori Kitase; Yuji Horii
Trilha sonora: Yasunori Mitsuda; Nobuo Uematsu; Noriko Matsueda




E chegamos ao previsível número 1. Chrono é meu jogo favorito, figura com frequência na lista de melhores jogos de todos os tempos, muitas vezes no primeiro lugar. Mas o que faz deste clássico de Super Nintendo tão especial assim? É uma junção de vários elementos. Na época de sua criação juntou-se um time de all-stars das duas maiores rivais do mundo dos RPGs, a Square e a Ennix. Esse jogo meio que foi uma prévia da fusão que aconteceria entre as duas empresas. O líder do desenvolvimento foi Yujii Hori o criador de Dragon Quest e o desing dos personagens é de Akira Toriyama, todo poderoso criador de Dragon Ball. O gameplay é incrível, não temos batalhas randômicas, todos os inimigos podem ser vistos no cenário e evitados. O grupo é de 3 personagens e não 4 como em Final Fantasy e existem os ataques em dupla e em trio! Esses ataques funcionam da seguinte maneira, quando se luta muito com um trio os personagens vão aprendendo ataques conjuntos. Esta é uma maneira genial de se jogar com todos as personagens, pois é preciso combinar times para conseguir ataques novos e mais fortes. A história é muito boa, tratando de maneira brilhante a viagem no tempo, fazendo com que o jogo possua 13 finais diferentes, dependendo de em que período do tempo se escolhe enfrentar Lavos, o grande vilão.

As personagens são um show a parte, muito carismáticas, formam - junto com Final Fantasy VI - o melhor grupo de qualquer RPG. O destaque aqui fica pra Frog, um cavaleiro medieval transformado em sapo que é a personagem mais carismática que já vi em qualquer jogo! A trilha sonora de Chrono Trigger é uma obra prima, totalmente épica e memorável... Nossa, são tantas qualidades que fica difícil de elogiar tudo!

Existem algumas diferenças entre as versões. A versão do PS1 é a mesma do Super Nintendo com a adição de algumas cut scenes em anime, mas é prejudicada pelo infinito loading. A versão mais recomendada é a de DS (a de iOS é a mesma de DS, obviamente sem os controles físicos), que é igual a do PS1, mas com um final a mais e sem loading! O cartucho é super difícil de achar e meio caro, então é provável que vocês joguem mesmo a versão de Super Nintendo, que é muito mais acessível por emuladores. Se tem um JRPG, um só que vocês precisam jogar na vida, é esse, vão sem medo!  

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Como vocês puderam perceber, no texto dessa semana eu quis trazer alguns jogos que adoro e que algumas pessoas talvez não tenham jogado. Espero que cada pessoa que leia pelo menos pense em jogar algum deles. Semana que vem voltamos com textos literários!