quinta-feira, novembro 21, 2013

Ascensão





I

-Cof, cof, cof.

Fez-se silêncio. Era o Sr. Garner quem tossira, e quando ele tossia, era porque queria atenção, e todos sempre davam atenção ao Sr. Garner.

-Não sei se concordo com isso – disse o poderoso gangster. -Como eu ainda mando aqui, acredito que quando eu não concordo com algo, minha opinião prevalece - continuou Garner. -E eu realmente não concordo com isso – concluiu com ar de triunfo.

Mal acabara de falar e uma espalhafatosa risada, foi ouvida. Ela vinha do fundo da sala. Vinha de John Mitchell, um novato.

-Do que esta rindo Sr. Mitchell – perguntou o velho gangster com desdém. -Não me lembro de ter dito nada de engraçado - continuou, com a raiva estampada na face.

Mitchell sorriu. -Mas disse velho, tudo o que você diz é engraçado.

Ninguém podia acreditar no que ouviam, como podia Mitchell um novato, contrariar Garner, o chefão?

-Desde quando você manda aqui Garner? Você nunca mandou em nada seu velho patético - concluiu Mitchell com prazer.

Garner estava roxo de raiva e via-se no seu rosto que ele finalmente havia perdido a sua famosa classe. -Cale a boca, seu moleque, você não sa...

Três estrondos ecoaram na sala, todos viram Garner cair e todos viram Mitchell guardar a arma no casaco e caminhar até Garner. Todos viram, mas ninguém acreditou.

Mitchell parou em frente Garner e o olhou nos olhos enquanto ele agonizava. Mitchell esperou Garner agonizar e morrer para sair pela porta lateral sorrindo e assoviando uma velha canção.

O silêncio dominava a sala. As pessoas que lá estavam haviam presenciado a queda de Garner e a ascensão de Mitchell. E alguns deles presenciariam também a sua queda. 

    
II

Os carros passavam em alta velocidade, pela marginal enquanto um estranho homem os observava de um posto de gasolina. O homem pagou o frentista, vestiu seu sobretudo preto, comprido demais para sua baixa estatura e saiu com seu carro, um velho corcel vermelho.

Quando o carro já havia se afastado um ou dois quilômetros, ele olhou para trás com um sorriso cínico nos lábios e acelerou o carro. Um minuto depois o posto de gasolina explodiu.

Dentro do carro tocava uma velha canção. “Knowing she's okay alone, and there's no messing. She's a lady.”

O homem sorriu e pensou, “curioso estar tocando isto. O Mitchie parece estar em todo lugar, aquele maldito!”


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Depois de uma semana sem postar, por conta de esquecimentos e do feriado, voltamos com uma antiga ideia minha de escrever uma história policial. Sempre adorei o gênero e escrevi esse trecho a mais de 10 anos, claro que revisei e mudei MUITAS coisas antes de postá-lo! a minha intenção é continuar a história aqui, talvez uma vez por mês, vejamos como se desenrola.

PS: A música de Tom Jones é pra dar o clima da história, além de ser sensacional.


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