terça-feira, fevereiro 25, 2014

Metal de Sacrifício




Sinto-me na vida,
como um metal de sacrifício,
um zinco-homem em prantos.

Desolou-me a alma
o martírio de te ver
assim, naqueles braços,
que não são meus,
que nunca foram.
E a dor, que deveria ser minha amiga,
e a dor, que deveria me defender dos outros,
a dor me traiu.
Desolou-me os pensamentos,
todos eles que eram direcionados a você.
E a dor, essa cafajeste,
que não pode cumprir um trato,
que não pode ser fiel,
a dor, ela mesma, me devorou.
Fui banquete da dor,
alimentei com minha própria carne
uma mesa farta
e dei a todos um banquete para marcar minha despedida.

Sinto-me agora,
depois de tudo,
apenas um amontoado de processos químicos.
Sem mágica, sem metáforas,
sem possíveis imagens e figuras de linguagem.
Nu.
Não.
Nada.
Nenhum.
Ninguém.

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De volta aos poemas. Fiz este usando uma estrofe (a primeira) de um poema que escrevi em 2003. Sempre gostei do resultado dela, mas não do restante do poema. Resolvi aqui criar o restante novamente. Espero que gostem.


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