sábado, setembro 27, 2014

Marília





Quando Marília morreu eu chorei.
Não de tristeza, nem de dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu sofri.
Não por amor, nem por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu me perdi.
Não por falta, ou por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu me odiei.
Não por culpa, ou por dor, mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu temi.
Não por dúvida, ou por dor mas por medo de algo pior.

Quando Marília morreu, eu tremi segurando a faca dentro dela
e sentindo, aquele sangue tão quente escorrer por meus dedos.
Eu temi por algo pior.


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Esta semana resgatei um texto antigo, publicado anteriormente o finado Os Caras do Clube. Acho interessante de vez em quando resgatar coisas antigas, já que o público é provavelmente diferente. Acaba parecendo coisa nova :)

Como podem reparar é um poema feito para ser perturbador, espero que tenha atingido o alvo.


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